Ainda, no dia do Pai

D.R.

Vamos falar do Pai. Pode ser?

Estou farta, saturada deste “confinamento”: ruas, jardins e parques desertos, lojas, teatros e escolas fechados, igrejas de portas fechadas. Todos metidos em casa.

Que silêncio, que tormento! E, no entanto, ainda me dói muito mais o confinamento das ideias a que estamos submetidos, exigindo um enorme cuidado no que dizemos ou deixamos de dizer.

Se quisermos emitir uma opinião, até sobre os assuntos mais simples, aqueles que fazem parte do dia-a-dia, é preciso pensar bem que palavras usar, como dizer, quando dizer e, claro, se é possível dizer.

Falar sobre o Pai – sim, o progenitor, o homem, aquele ​ser masculino a quem sempre chamamos o Pai – é como abrir uma janela de par em par e olhar para longe sem nos determos no imediato das opiniões massificadas. Porque falar do Pai é algo nosso: todos sabemos, ou intuímos o que é ou deveria ser, e é algo maravilhoso. Assim o descreve o Papa Francisco, na sua carta apostólica “Com um Coração de Pai”, de um modo simples e tão claro:

“Ser pai significa introduzir o filho na experiência da vida, na realidade. Não segurá-lo, nem prendê-lo, nem subjugá-lo, mas torná-lo capaz de opções, de liberdade, de partir. (…) A paternidade, que renuncia à tentação de decidir a vida dos filhos, sempre abre espaços para o inédito. Cada filho traz sempre consigo um mistério, algo de inédito que só pode ser revelado com a ajuda dum pai que respeite a sua liberdade. Um pai sente que completou a sua ação educativa e viveu plenamente a paternidade, apenas quando se tornou «inútil», quando vê que o filho se torna autónomo e caminha sozinho pelas sendas da vida, quando se coloca na situação de José, que sempre soube que aquele Menino não era seu: fora simplesmente confiado aos seus cuidados.”

No Ponto 22 do livro “Caminho”, S. Josemaria diz o seguinte: “Sê forte – Sê viril – Sê homem – E depois…sê anjo.” Ser Pai é uma vocação que exige uma especial fortaleza porque, como salienta o Papa Francisco, “toda a verdadeira vocação nasce do dom de si mesmo, que é a maturação do simples sacrifício.

E o mesmo se poderia dizer da mulher na sua especial vocação à maternidade: “Sê forte…sê feminina…sê mulher…e depois…sê anjo.”

É que o ​ser humano é o mesmo em ​essência e diferente, perfeitamente complementar na expressão própria de cada um.

Rosa Ventura