Um livro para o dia do Pai

D.R.

Chama-se A Pérola e é baseado numa história popular mexicana. É um belíssimo romance de Steinbeck que, como todos os seus outros romances, pode ser lido de vários ângulos. A história é conhecida, podemos vê-la como a esperança muito humana de ter tudo aquilo que trará a felicidade e, por fim, a perca desses bens.

Mas, A Pérola é também uma lenda cheia de ternura onde nos encontramos com a figura do Pai por excelência: o Pai, a mulher e o filho de ambos numa união de amor intemporal. 

A história do Kino, o pai, inicia-se feliz porque na sua vida “havia uma canção nova, pura e doce. Se soubesse falar dela ter-lhe-ia chamado Canção da Família … tudo fazia parte dela. Por vezes crescia num tom que fazia doer, que lhe embargava a garganta, dizendo-lhe que aquilo era segurança, aquilo era calor, aquilo era tudo”.

Mas, num momento, porque a vida do Coyotito, o seu filho, foi seriamente ameaçada, surge “uma nova canção, a Canção do Mal, a música do inimigo, de qualquer inimigo da família; era uma melodia selvagem, secreta, perigosa, e, por baixo dela a Canção da Família gemia dolorosamente.” É assim que começa a bela e terrível aventura desta família. Uma luta permanente entre a miséria do coração do homem e a grandeza de um desejo muito humano do Pai que quer desesperadamente o melhor para o seu filho: “o cérebro de Kino estava em brasa, mesmo durante o sono, e sonhou que Coyotito sabia ler, que um dos seus sabia dizer-lhe a verdade das coisas. No seu sonho, Coyotito lia um livro do tamanho de uma casa, e as palavras galopavam e brincavam sobre as folhas. Então, espalhou-se a escuridão sobre a página e veio de novo a música do mal. Kino acordou com a música do mal a pulsar dentro dele.”

Dedicamos este livro a todos os Pais: aqueles que sonham grandes coisas para os seus filhos e aqueles que deixaram de sonhar; aqueles que lutam pela educação e pelos valores que lhes querem dar e aqueles que já deixaram de lutar; e, finalmente, aqueles que acreditam no papel insubstituível do Pai e aqueles que deixaram de acreditar.

Maria Romano