Canhas: D. Nuno desafia cristãos a se deixarem transfigurar por Deus nesta Quaresma

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal desafiou os cristãos da diocese a se “deixarem transfigurar por Deus” neste tempo da Quaresma e a “deixarem que o que ainda é pecado em nós, o que é falta de amor e morte, se transforme em vida”.  

D. Nuno Brás falava na Eucaristia das 11 horas a que presidiu na paróquia dos Canhas, onde esteve pela primeira vez e onde foi recebido com um tapete de flores e as habituais palavras de boas vindas desta feita lidas por uma paroquiana em nome da comunidade, que considerou esta visita um momento de “esperança e alento” para os tempos difíceis.

“É com muita alegria que o recebemos de braços e corações abertos”, disse a paroquiana, para logo desejar “que a sua vinda e a sua presença proporcionem à comunidade mudança interior” e a “busca pela compreensão cada vez maior do que é o ser católico, na luta por um mundo melhor”.  

Depois de desejar que aquela comunidade possa ser seara onde germinem novas vocações sacerdotais e religiosas, a paroquiana desejou que “Nossa Senhora da Piedade abençoe o seu trabalho diocesano junto aos fiéis, desatando os nós que a vaidade humana cria e espalhando flores onde houver espinhos”. 

Na sua homilia desta celebração que contou com a presença de algumas entidades locais, nomeadamente da presidente da Câmara da Ponta do Sol, o prelado começou por aludir exatamente ao episódio da transfiguração de que nos falava São Marcos no Evangelho, o qual surge “precisamente quando se começa a desenhar o horizonte da vida de Jesus, quando se começa a desenhar a morte e a morte de Cruz”.  

Jesus, explicou D. Nuno Brás, “conhece muito bem quem são os seus discípulos, sabe muito bem que eles são fracos, que são frágeis” e que a convivência com Ele não foi suficiente para levar os discípulos a compreendê-lo em profundidade. 

Por isso, “com este sinal da transfiguração Ele quer ajudar a fé dos discípulos, porque Ele sabe perfeitamente que diante do sofrimento, diante do sofrimento injusto, os discípulos, como nós, se haviam de perguntar onde andará Deus, como é possível que Ele fique quieto e calado”, disse. 

Dito de outra forma, a experiência da transfiguração foi uma maneira de queimar etapas e de colocar os discípulos, de forma transparente, diante da realidade de Jesus.  

“Jesus pega naqueles três discípulos – Pedro, Tiago e João – e leva-os para o monte Tabor, onde lhes apareceram Elias e Moisés, porque lhes quer mostrar algumas coisas centrais” explicou o prelado, para logo acrescentar que Jesus lhes queria mostrar que não era um homem qualquer, “mas Deus feito homem”. Um Deus que está com eles, que está ao seu alcance, que os acompanha e que lhes pede para ouvirem o seu filho. 

E Jesus quer ainda mostrar “que a cruz e o sofrimento não têm a última palavra, que a morte não tem a última palavra” porque “a Deus ninguém o vence”. 

“Creio que aquilo a que o Senhor nos convida antes de mais nesta Quaresma é a deixarmo-nos também nós transformar, transfigurar, mudar”, frisou o prelado que logo lembrou que “a Quaresma é o tempo para nos convertermos porque há tanta coisa na nossa vida que não é cristã, tantas atitudes que tomamos que não são atitudes de cristãos”.  

E transfigurarmo-nos “aceitando que Deus faça parte da nossa vida, aceitando que Deus nos acompanhe”, por muito ‘chato’ que nos possa parecer “ter sempre Deus atrás de nós”. É certo que “Deus não nos resolve os problemas nem afasta de nós o sofrimento”, mas Ele “dá-nos a força para os podermos enfrentar”.  

Aliás já dizia São Paulo, na segunda leitura, que se Deus está connosco não há ninguém contra nós. E se O temos ao nosso lado somos fortes e conseguimos mudar a nossa vida, transformar o mundo e até o próprio sofrimento e a própria morte.  

“Este é o grande convite da Quaresma: deixar que aquilo que em nós ainda é morte, deixar que aquilo que em nós ainda é pecado, deixar que aquilo que em nós ainda é problema se transforme em vida com Deus”, frisou o bispo diocesano, que concluiu apelando a que “verdadeiramente façamos Quaresma, verdadeiramente façamos caminho, verdadeiramente deixemos que Jesus viva a nossa vida, verdadeiramente aceitemos Deus ao nosso lado” e “verdadeiramente deixemos que o Senhor vá mudando, a cada dia que passa, aquilo que em nós ainda é pecado, aquilo que em nós ainda é falta de amor, aquilo que em nós ainda é resistência à sua vida”. 

No final da celebração, mesmo antes da bênção final, coube ao Pe. Humberto Mendonça, pároco dos Canhas, “agradecer de coração” a presença de D. Nuno Brás naquela comunidade que, disse, está convicta de que “a presença do senhor bispo é a presença sacramental do Cristo que confirma na fé e abençoa o seu povo”.  

O sacerdote agradeceu ainda “pela palavra que nos deixou pela esperança que infunde em nós e pelo seu testemunho que nos convida a seguir fielmente Jesus na Sua Igreja”.  

O Pe. Humberto disse ainda que é com esta “alegria e gratidão” que esta comunidade “todos os dias reza por vossa excelência reverendíssima e pede a Nossa Senhora da Piedade que o proteja e ao Espírito Santo que o ilumine e conduza sempre como mensageiro o Evangelho e da paz de Cristo no meio de nós”. 

“Este é um dia especial para nós, um dia de festa, mas acima de tudo um dia de gratidão porque o nosso bispo visitou esta comunidade e com a sua presença alimentou esta porção do povo de Deus com a palavra do Senhor”, disse ainda o pároco dos Canhas que concluiu manifestando o seu desejo de que “venha muitas vezes à nossa comunidade para nos abençoar e confirmar na fé”. 

D. Nuno agradeceu as palavras e terminou desejando que possamos fazer verdadeiramente Quaresma, quer dizer “verdadeiro caminho em direção à Páscoa”, sendo que “caminho significa deixar que Deus nos mude e nos transforme e nos transfigure”.