A riqueza dos anos

A Irmã André celebrou 117 anos no dia 11 de fevereiro | D.R.

Uma amiga enfermeira partilhou comigo a experiência de hospitalidade que viveu esta semana, ao acompanhar uma pessoa doente. Uma hospitalidade traduzida em proximidade, gestos de atenção e cuidado para com uma pessoa em situação de fragilidade, que provocou um vazio aquando da sua morte repentina.

A hospitalidade é mais do que um fazer e um realizar. A hospitalidade é receber o outro na nossa casa interior, abrir espaço no coração para que outro se sinta acolhido.

“A hospitalidade é uma espécie de enseada onde a embarcação da vida, por vezes fraturada e assustada, pode encontrar repouso e proteção”, dizia-me ela, citando uma mensagem que recebeu. 

Nestes dias, a Pontifícia Academia para a Vida apresentou um documento sobre “a condição dos anciãos depois da pandemia”, onde defende a necessidade de uma nova visão, um novo paradigma, que ofereça “melhores condições para que os idosos possam viver esta fase particular da vida, tanto quanto possível, no seu ambiente familiar, com as amizades habituais”. 

Neste sentido, o reconhecimento do cuidador informal é um grande passo para o acompanhamento e apoio aos familiares idosos ou doentes. Este é um recurso que ainda precisa ser mais conhecido e aproveitado. 

Na quinta-feira passada, a pessoa mais idosa da Europa celebrou 117 anos. Trata-se da irmã André, religiosa francesa das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo. Esta religiosa tinha testado positivo ao coronavirus no dia 16 de janeiro, sem apresentar sintomas graves. “Nem percebi que estava infetada”, disse ao jornal local.

Depois uma vida dedicada aos órfãos e idosos no hospital de Vichy, tem vivido os últimos 42 anos em casas de acolhimento para pessoas idosas, pertencentes à sua congregação. “Ter o europeu mais velho connosco é um motivo de orgulho e também uma imensa responsabilidade”, disse o porta-voz da casa onde atualmente reside. 

Na verdade, todo o idoso é um tesouro a valorizar e proteger, o seu cuidado é sempre uma “imensa responsabilidade”, mas também “motivo de orgulho” e alegria.