Consagrados em tempo de crises. Jesus dorme?

D.R.

Em entrevistas recentes, puseram questões sobre a conversão de S. João de Deus e o seu carisma de louco por Deus na hospitalidade; e sobre o que se diria hoje a uma audiência de jovens sobre a vocação à vida consagrada. Em tempos de pandemia são muitas as crises, esperanças e surpresas que põem os consagrados à prova. Há um ano não se previam as crises simultâneas atuais: Covid-19 e ”pandemias” de paganismo e crises de fé no Ocidente, Europa, Américas… S. João de Deus, no tempo dos protestantismos, escrevia que confiava só em Jesus Cristo. Durante a tempestade, Jesus ia a dormir na poupa do barco e os apóstolos cheios de medo. Hoje, jovens e adultos, consagrados e outros, no meio de tantas ondas ameaçadoras, no mundo e na Igreja, são também impelidos a gritar: Jesus, não te incomodas que vamos ao fundo? Os apóstolos iam no limite da esperança, mas pediram socorro. Por cada surpresa desesperançada, pode surgir a  esperança teologal e a oração gritada. 

No dia 4 de fevereiro de 2021, a cerimónia virtual do terceiro ano do Apelo à Fraternidade do Papa, coligado a gente de boa vontade e a Abu Dhabi, foi surpresa luminosa de esperança para a Humanidade. O Pai comum quer todos os seus filhos em fraternidade, como irmãos. E o que se tem visto é gente a odiar-se e a matar-se a todos os níveis e todas as idades. No meio de um mundo de gentios, este apelo provocou surpresa e esperança. No clima de desesperança a Igreja precisa de esperança. De donde? As profecias das aparições de La Salette e Fátima referem várias crises e sofrimentos de perda de fé em consagrados que caíram nos abismos mundanos; e na Igreja em que entrou o paganismo. Nessas mensagens e no conhecido sonho das duas colunas de S. João Bosco, em 30 de maio 1862, foram indicadas as fontes de esperança: Jesus Eucaristia que alimenta e pede adoração; e Maria, Auxílio dos Cristãos, a pedir oração mariana e conversão.  

A cultura pagã infiltra-se, avassaladora, na Igreja: a pandemia do aborto, promovida por gentios e por católicos não praticantes, o que quer que isso seja; circulam propostas de morte por eutanásia, de casamento de “dois eles e de duas elas”; limitação de liberdade religiosa; imposições fraturantes; apagamento dos mandamentos de Deus e do Evangelho de pobres e doentes na cultura judeo-cristã do Ocidente. Se fossem só os descrentes que não aceitam Deus nem Jesus Cristo! Infelizmente o mundano e pagão são aceites por muitos que se dizem católicos e consagrados. Ainda que frágeis, aos consagrados é pedido fidelidade a Jesus Cristo. Só assim animarão os jovens a serem do seu número. Continua sempre válido o arrependimento e o perdão do Pai Misericordioso até 70×7. Para crescer na fidelidade ao lado do joio em misturas críticas de terrenos de espinhos e pedras, os consagrados precisam de vida de oração e confiança em Jesus. Não faltarão novas surpresas no meio do nevoeiro e escuridão de tantas crises na Igreja e na humanidade. Em que os consagrados viverão experiências de que a oração conta e traz esperança.

O dia da Fraternidade de 4 de fevereiro foi de esperança enorme no horizonte ou no fundo do túnel, o lugar-tempo onde cada um estiver. Importa abrir o coração para os Sinais. Entrará o bem, a esperança, o amor, a fraternidade dos filhos de Deus. São cada vez mais a tomar consciência que o Pai Nosso é Pai de todos; e a súplica: Pai, “perdoai-nos”, é a que melhor descreve, com verdade e atualidade, a humanidade toda: “perdoai-nos…a nós e a todos os pecadores como nós perdoamos”.

Digam aos jovens que gritem: Jesus, não te incomodas que pereçamos com tantas “pandemias”? O sonho profético de S. João Bosco lembra que Jesus, acordado, quer salvar-nos com a sua Missa Eucaristia, alimento-remédio para tempo de calamidades; e com  Maria, a Mãe da Igreja, Auxílio dos cristãos.