Campanário: D. Nuno exorta fiéis a serem testemunhas da fé como São Brás

Foto: Duarte Gomes

Tal como o mártir São Brás também nós “somos convidados a dar testemunho de Deus em toda a nossa vida” e até mesmo “para além da morte”. Isso mesmo disse o bispo do Funchal na Eucaristia da festa em honra daquele Santo, a que presidiu no Campanário. 

Apesar da Igreja assinalar a festividade litúrgica de São Brás no dia 3 deste mês, só este domingo, dia 7 de fevereiro, aquela comunidade paroquial celebrou a festa em honra do seu padroeiro. Numa tarde em que não faltou a música da Banda Municipal da Ribeira Brava, nem o fogo de artifício, a paróquia preparou-se a rigor, respeitando todas as medidas de segurança, para este momento sempre importante que é o de celebrar o seu protetor e de receber o seu pastor. 

Na homilia, D. Nuno Brás, disse aos fiéis que ocupavam a quase totalidade dos lugares marcados, que o grande convite que São Brás nos faz é, precisamente, para “sermos testemunhas da fé” e “da verdade de Deus”.  

À semelhança do que ainda hoje acontece, com “milhares de pessoas que dão a sua vida por causa de serem cristãos”, também São Brás foi morto porque “conscientemente deu testemunho do Evangelho” e mostrou que “Deus é maior do que os pensamentos humanos”. Por outras palavras, “aquilo que incomoda nos mártires é precisamente o facto de eles falarem de Deus, o facto de mostrarem que Deus está acima de todos os poderes humanos e que Deus é maior do que todas as tentativas humanas de subjugar os outros”.  

Mas ao contrário do que seria de esperar, a morte não os cala. Na verdade, a memória dos mártires sobrevive muito para além deles. A prova, frisou o bispo do Funchal, é que “estamos aqui hoje para celebrar a glória de Deus que se manifestou, e se manifesta, em São Brás”. Ele que, tal como tantos outros mártires, “continua a falar, a proclamar o Evangelho, a boa nova, a falar de Deus e a convidar-nos a todos a abrir as portas do nosso coração a Deus”. E isso acontece, frisou D. Nuno Brás, porque “não era simplesmente o homem que falava, mas era Deus que falava nele”.  

De resto, disse, “esta é a grande lição dos mártires: homens e mulheres como nós, pecadores como nós”, mas que “deixaram que Deus vivesse as suas vidas”. E é isso que também nos é pedido hoje. É esse o convite que nos faz São Brás: “deixar que Deus viva a nossa vida”. É isso que “o batismo faz em nós”, explicou ainda o prelado, para logo acrescentar que isso não implica nada de extraordinário, a não ser nos questionarmos, constantemente, se estamos a agir como Deus quereria, ou se estamos “a matar com palavras ou a ofender com ações que não são de Deus”. 

“Este é o grande convite de São Brás e de todos os mártires: sermos testemunhas da fé, a vivermos de tal modo com Jesus Cristo que a nossa fé passa toda ela pela nossa vida que se torna testemunho de Jesus Cristo”, constatou. 

A terminar o prelado desejou que, tal como na vida de São Brás, “o Senhor realize maravilhas na nossa vida. O mesmo é dizer que também a nossa vida se transforme e dê constante testemunho da verdade de Deus”. Tudo isto para que nós, onde quer que estejamos, sejamos sempre capazes de mostrar “este Deus que nos ama, a nós e a todos, este Deus que é maior que qualquer poder humano” e de mostrar que “apenas Deus e com Ele a nossa vida é verdadeiramente humana”.  

Antes da bênção final ainda houve tempo para a passagem de testemunho entre festeiros e para os agradecimentos do Pe. Adelino Macedo Costa, nomeadamente à Confraria de São Brás pela organização da festa e a todos os que a tornaram possível. O pároco do Campanário agradeceu ainda ao bispo diocesano pela sua presença que, disse, veio “dignificar esta mesma solenidade”, bem como ao Pe. Marcos, que ali celebrou na véspera, e ao Pe. Carlos Ismael que acompanhou o senhor bispo. 

Já D. Nuno Brás, numa última intervenção, pediu a Deus que, “por intercessão de São Brás, Ele tome de tal modo conta da nossa vida, esteja de tal forma presente na nossa vida, que sejamos Suas testemunhas e tudo aquilo quanto dizemos, tudo aquilo quanto fazemos, tudo aquilo quanto somos seja palavra que fala de Jesus Cristo, palavra que mostra Jesus Cristo e o Seu amor sempre presente e a dar vida a nós e a todos”.