Índia: Em Tezpur os cristãos confundem-se com os mais pobres dos pobres

Tezpur, India | Foto: AIS

Uma mão amiga

É uma região conhecida pela excelência da produção do chá. Uma fama que remonta aos tempos em que a Índia fazia parte do império britânico. O que os cartazes publicitários nunca dizem é que, em Tezpur, as populações são muito pobres, o desemprego é elevado, a iliteracia abunda e a Igreja não tem mãos a medir perante tanta miséria. Perante esta situação, o Bispo pediu a nossa ajuda…

O estado de Assam tem 85 milhões de habitantes e fica situado no extremo nordeste da Índia. Esta é uma região afastada do poder central, um quase enclave cercado por um punhado de países: Nepal, China, Butão, Mianmar e Bangladesh. A vida é dura. Há um sentimento de exílio para quem nasceu nesta região que o mundo conhece vagamente por causa das plantações de chá. Por ali vivem desde há gerações famílias quase escravizadas por um trabalho pesado, muito mal remunerado, que mal permite a sobrevivência. As populações locais confundem-se, muitas vezes, com os mais pobres dos pobres, os mais miseráveis. São grupos tribais, os Adivasi, os Garos, os Bodos… Têm em comum essa ascendência que os leva a serem olhados pela sociedade indiana como se fossem invisíveis. Os grupos tribais estão nos lugares mais baixos do complexo sistema de castas da Índia. As suas lágrimas, os seus lamentos passam despercebidos ao comum dos indianos. São ignorados. Resta-lhes normalmente apenas a Igreja. A diocese de Tezpur pertence ao estado de Assam. A comunidade católica, bastante pequena, tem apenas cerca de 195 mil fiéis. É uma gota de água. Quase todos pertencem aos grupos tribais. Os últimos tempos têm sido de acalmia. Já houve conflitos sérios entre comunidades, que por vezes degeneram em violência. No entanto, a violência maior é mesmo a pobreza. Quase todas as famílias trabalham nas plantações de chá. É uma vida dura e muito mal paga. Um dia de trabalho pode render cerca de 115 rupias. Pouco mais de um euro e meio. É com isso que vivem as famílias que, normalmente têm mais de quatro ou cinco filhos. Há também muito desemprego. O cenário não é animador.

Ventos da história

Nesta região da Índia, é difícil às famílias a fuga a este ciclo vicioso e dramático do desemprego e da pobreza. Os níveis de alfabetização são também muito baixos e tudo parece contribuir para uma vida muito difícil para as populações locais. As casas são normalmente apenas pequenas cabanas de bambu, não havendo na maioria das aldeias nem electricidade nem água corrente nem sequer transportes públicos. Nesta região afastada do poder central, quase um enclave cercado por um punhado de países, a Igreja tem procurado contrariar os ventos da história oferecendo caminhos para uma vida com dignidade a estas populações tribais. Não tem sido fácil. Os 113 sacerdotes da diocese de Tezpur não têm mãos a medir face a todas as situações mais dramáticas com que são confrontados diariamente. D. Michael Akasius Toppo, o Bispo de Tezpur, pediu ajuda à Fundação AIS. É preciso que a Igreja tenha mais argumentos para responder às necessidades mais básicas que se colocam à comunidade cristã. D. Michael escreveu uma carta em que pede ajuda à “mão amiga” da Fundação AIS. “Estamos a tentar levar a mensagem redentora de Cristo aos povos de todas as tribos e línguas, mas precisamos de uma mão amiga. Estamos confiantes de que o vosso precioso apoio aos nossos sacerdotes, e, portanto, também às suas comunidades Católicas, será um grande incentivo.” Como ajuda concreta, o prelado pede estipêndios de Missa. “Os nossos sacerdotes ficar-vos-ão eternamente gratos e lembrar-se-ão de vós e de todos os nossos benfeitores no altar do Senhor.” Para muitos padres das regiões mais pobres do mundo, como é o caso desta diocese no nordeste da Índia, mandar celebrar uma missa pode revelar-se essencial para a sua própria sobrevivência e para a manutenção da presença da Igreja junto dos mais necessitados. O Bispo de Tezpur pediu a nossa ajuda. Será que ele pode contar consigo, com a sua mão amiga?

Paulo Aido