Fantasia da caridade

D.R.

No dia 6 de Janeiro de 2001, ao terminar das celebrações do Jubileu do ano 2000, o Papa S. João Paulo II indicava os caminhos que a Igreja deveria percorrer neste século. Um deles era a “fantasia da caridade”. 

Dizia o Papa: “É hora duma nova « fantasia da caridade », que se manifeste não só nem sobretudo na eficácia dos socorros prestados, mas na capacidade de pensar e ser solidário com quem sofre, de tal modo que o gesto de ajuda tenha sentido, não como esmola humilhante, mas como partilha fraterna” (NMI 50).

A caridade — quer dizer: o amor de Deus em nós e a agir em nós, cristãos — é capaz não apenas de encontrar, de imaginar, novos caminhos, novas acções, novas realidades; é igualmente capaz de fazer com que a caridade deixe de ser uma “esmola humilhante” e passe a ser uma “partilha fraterna”.

Nestes tempos de pandemia e de confinamentos, com tantos a não poderem trabalhar para ganhar o seu sustento, precisamos, mais do que nunca, de dar asas à “fantasia da caridade” — quer dizer: precisamos de deixar que o amor de Deus em nós nos dê a todos um novo olhar, abra novos caminhos e nos dê novas forças para responder aos novos tempos que estamos já a viver.