Cartão branco

D.R.

Admito que nunca tinha ouvido falar da existência de um cartão branco no futebol. Por isso, foi com estranheza que percebi que o primeiro cartão branco do Campeonato de Portugal foi utilizado na passada quarta-feira, 13 de janeiro, com o jogador de um clube algarvio, “Esperança de Lagos”. 

O cartão branco, iniciativa do Plano Nacional de Ética no Desporto, apresenta-se como “recurso pedagógico que visa enaltecer condutas eticamente corretas, praticadas por atletas, treinadores, dirigentes, público e outros agentes desportivos”.

  Ao valorizar as boas práticas desportivas, o cartão branco mostra um desporto que é mais do que violência, intolerância e racismo. Elementos, esses, que normalmente chamam mais a atenção da comunicação social. 

Numa entrevista ao jornal desportivo italiano, “Gazzeta dello Sport”, no início deste mês, o Papa Francisco afirmou que ser guarda-redes foi “uma grande escola de vida”. 

O desporto também é uma escola de valores para toda a sociedade, como destacou o Papa em entrevista, quando apresentou sete palavras importantes no desporto: lealdade, empenho, sacrifício, inclusão, espírito de equipa, ascetismo e redenção. 

Para vencer no jogo e na vida é preciso fazer render os talentos, treinar, respeitar as regras, encontrar motivação, aceitar os sacrifícios e saber trabalhar em equipa. “O desporto tem isto de belo: tudo funciona em equipa”, disse o Papa. 

O cartão branco está associado aos melhores comportamentos desportivos: capacidade de  pedir desculpa ao adversário, reconhecer os erros, repor a verdade no caso do árbitro se tiver enganado, ajudar o adversário em caso de necessidade, incentivar os colegas de equipa quando falham, não responder às provocações, reconhecer o valor e o mérito do adversário e saber ganhar com humildade e simplicidade.

O dicionário define “fair play” como a “capacidade de aceitar com serenidade um resultado ou uma situação adversa”.  Sem dúvida, uma boa atitude neste tempo de novo confinamento: “fair play”!