Terceira vaga

Foto: David Gonthier

O aumento do número de casos positivos à Covid-19, registados nos últimos dias, parece indicar que o país entrou na terceira vaga da pandemia. Em apenas uma semana, perdemos o equilíbrio conquistado com muito esforço e o cenário não se vislumbra fácil, especialmente por causa da nova variante da doença que, como sabemos, é muito mais contagiosa. 

Face a esta nova variante descoberta no Reino Unido, a OMS lançou o alerta para o reforço de medidas restritivas na Europa, com vista a limitar a transmissão do vírus e reduzir a pressão sobre os hospitais. 

Afinal, a tempestade não acabou. A luz ao fundo do túnel, trazida pela vacina, não significa que já possamos relaxar, pelo contrário, ainda há muito caminho a fazer e não há tempo a perder.

Diante das nuvens cinzentas dos próximos tempos, que geram sentimentos de incerteza e insegurança, é possível encontrar um caminho de paz. Como diz Santo Inácio de Loyola, o que sacia a alma é o “sentir e saborear as coisas internamente” (EE 2, 4). Saborear a vida, com todas as suas limitações e contrariedades, é o que preenche a alma. 

Isso mesmo descobriu Amelia Boone, uma bem sucedida atleta americana que, devido a uma lesão, ficou afastada das competições. Quando voltou a correr, passados dois anos, já não se preocupava com resultados nem recompensas. A motivação já não estava na competição, mas na alegria de poder correr. Esta era a grande vitória. 

São Pedro exortava os primeiros cristãos a “dar a razão da vossa esperança” (1 Pe 3, 15). Aconteça o que acontecer, há razões para a gratidão. Na verdade, o dia-a-dia está repleto de pequenas e grandes coisas que saciam a alma. Ser agradecido pelos familiares e amigos que me acompanham na aventura da vida, por aquela música que me fez viajar, ou pelo texto que me deixou a pensar. Agradecer pelos sabores daquela refeição e por aquele filme que me emocionou. E porque não agradecer também os momentos de crise da própria história e reconhecer que foram eles que me tornaram mais forte?