A arte como instrumento de evangelização (2)

Museu de Arte Moderna, Nova York

Na verdade, o artista moderno é subjetivo, procura mais nele próprio do que fora de si os motivos da sua obra, mas, precisamente por isso, muitas vezes é eminentemente humano, é altamente digno de apreço1. De facto, «muitos artistas substituíram a psicologia com a estética; é certamente uma evolução, não raramente perigosa e desconcertante, mas com maior frequência se torna idónea para penetrar no santuário do espírito e ser mais apreciada por nós, que somos alunos e mestres de Espírito»2. Mas, «em todo o caso, esta Arte, que nasce mais de dentro do que de fora, é um documento que não só nos interessa, mas obriga-nos a conhecê-la; queremos dizer: a ler dentro dela a alma do artista, melhor dito, a alma contemporânea, de que ele, conscientemente ou não, se faz intérprete e espelho sensível»3. Além disso: ­ 

«Dizemos mais: também nessa alma, na do homem espontaneamente (pois metafisicamente e em certa medida somos todos), se faz por vezes ouvir alguma voz extremamente original, por vezes com candor virginal e outras vezes com extraordinário vigor. Isto é, dizemos claramente: ainda existe, também existe neste nosso árido mundo secularizado, e por vezes também gasto por profanações obscenas e blasfemas, uma capacidade prodigiosa (eis a maravilha que estamos a procurar!) de exprimir, além do humano autêntico, o religioso, o divino, o cristão»4.

Por fim, a galeria de Arte moderna recorda-nos que o artista moderno é profeta e poeta, à maneira do homem de hoje, da sua mentalidade, da sociedade moderna; que poderá surgir uma nova tradição artística e se afirme nos corações dos artistas a convicção de que a Igreja Católica ainda e sempre os estimula, promove e protege5. 

Marco Guerra afirma que: «a arte é um instrumento de evangelização usado pela Igreja para demostrar a maravilha da criação, pelo que a beleza tem um papel essencial ao arrancar o ser humano da resignação, ao mesmo tempo que o desperta, abrindo-lhe os olhos do coração e da mente»6. Acrescenta ele que é importante que uma arte comunique beleza, harmonia, de modo a oferecer esperança e um horizonte de redenção e acolhimento7. Daí que seja essencial «que se criem espaços para a educação às linguagens da arte e da beleza, quase como que oásis da alma para a elevar e fazê-la experimentar a emoção do encontro com o belo, o verdadeiro, o bom, porque só desta maneira será possível narrar e escutar histórias luminosas e exemplares»8.