Novo livro do Pe. José Luís Rodrigues “Pedaços de Esperança” apresentado dia 26 de novembro

O novo livro de poesia do padre José Luis Rodrigues será lançado na próxima quinta-feira, dia 26 de novembro, pelas 18 horas no Salão Nobre da Assembleia Regional da Madeira.

A apresentação da obra “Pedaços de Esperança” será feita por Luísa Paolinelli e Nelson Veríssimo com moderação de Celina Pereira.

A livro é composto por 181 poemas divididos em quatro capítulos: Luz, Sentimento, Futuro e Esperança. 

Através dos poemas, o autor encontrou uma “forma de contar a história, a esperança e o pulsar da existência nos seus multifacetados domínios. Está presente o pulsar da convivência, os seus contornos políticos, sociais, psicológicas e espirituais/religiosas”. 

Para José Luis Rodrigues, “estes poemas são uma tradução reflexiva do tempo que em momentos se segura pelas mãos da esperança e noutros escorre por entre os dedos, porque as contingências da errância da vida não se deixam segurar, por causa de diversas razões que enformam a dimensão física, histórica da criação”. 

A pintura de Emanuel Aguiar, “Representação do Tempo”, ano de 2019, foi escolhida para a capa do livro. Os proprietários do quadro, o casal José Manuel Marques Jesus e Fátima Maria Freitas Mendonça Marques, deram prontamente a sua autorização para que fosse reproduzida a imagem na capa do livro.

José Luís Rodrigues “bebe da luz que ilumina a inquietude dos dias”, e “pisa o chão da inquietação, busca o sentido para a estupidez humana, o mistério do sofrimento e da morte”. 

Nalguns poemas vislumbram-se a inspiração na oração de São Francisco como no poema: “A luz de outro dia” que diz assim: “Mas porque nesta luz imensa / É já outro dia que o mistério revelou”. 

“A criação é um pretexto para enredar palavras como luzes que se acendem perante o escuro da incompreensão, das encruzilhadas do tempo, dos mistérios da História e das contrariedades que a existência oferece”, escreve o autor.  

José Luis Rodrigues perturba-se com “a teimosia humana para manter-se no egoísmo destrutivo dos bens da criação destinados a toda a humanidade”.

A luz é uma presença constante nas palavras que conferem ao poema o resultado do olhar e do pensamento “centrado nas coisas, nos eventos, nas injustiças e nos gestos que todas as dimensões da natureza manifestam”.

No segundo capítulo emerge o poema “Igualdade, Fraternidade e Liberdade” como trombeta sobre o mundo, porque as ameaças sobre estes valores fundantes das sociedades democráticas são muito fortes nos tempos de hoje.

O sentimento do poeta sente-se impelido pelo “chamamento” porque “fomos juntos / à fonte de um tempo / onde brotava palavra…”, para fazer um “Passeio pelo mundo”, mesmo que “desordenado cambaleando / como são tantas vezes os sentimentos”; “há nomes desconexos”, como “a fome” e ausência da “paz”. 

“Esses nomes são um grito insubmisso perante ´a arrogância da injustiça´ onde este mundo continua imerso, dominado pela estupidez humana que teima em inclinar-se para essa infelicidade. Por isso, ´A indignação é pão´ (poema de 23 de Fevereiro de 2019), refere o autor. 

A poesia de José Luís Rodrigues centra-se no “chão concreto da existência”, no quotidiano e no ritmo que os dias desvelam. A data de cada poema são reveladores desse tempo que vai passando pelo mundo e pela vida do poeta. 

Ao longo da obra encontramos vários “regressos”.  A sombra das cidades e os silêncios da ruralidade onde o autor “regressa” à sua terra natal, o Jardim da Serra.

Tudo está nos temas dos poemas: “Fadiga ao fim do dia”; “Uma brasa que queima a alma”; “Como era a luz na casa da avó”; “Os dias”; “Os cravos de Abril”; “Um Natal como se fosse hoje”; “O mal do mundo”; “O sabor da terra”; “A guerra”; “Consagração”; “Fé”; “Escutar”; “Profecia do tempo que passa”; “As ondas apressam-se sobre mim”; “Cimento flores”; “Fermento do mundo”; “Ensaio das origens”; “Uma lição ao mundo”; “A cortina do mundo”; “Do silêncio que nos fez”; “O altar da esperança”; “O poema é uma terra”; “O deserto”; “Vagueando”; “O meu retracto”.

Os poemas assentam nas raízes de índole humanista e moral do autor não esquecendo a sua condição religiosa e a opção eclesial do autor.

Este é o segundo livro de poesia do padre José Luís Rodrigues. O primeiro neste domínio literário foi “Regresso ao Mar”. 

Em 2003 o autor publicou “Crónicas do Fundo do Esquecimento” e no âmbito do ano sobre a fé em 2013, publicou “Para que serve acreditar? O que a fé não deve ser”.