D: Nuno Brás: Pandemia desafia-nos a encontrar fortaleza na fé

Foto: Duarte Gomes

A situação de emergência que vivemos convida-nos a “cuidarmos uns dos outros” e desafia-nos a “encontrar fortaleza na fé”. Estas foram duas das ideias deixadas pelo bispo do Funchal, na Eucaristia a que presidiu esta terça-feira, dia 17 de novembro, na Igreja do Imaculado Coração de Maria durante a qual se rezou, de uma forma muito particular, por todos aqueles que trabalham no setor do Turismo e da Restauração.

No início da celebração, em dia de Santa Isabel da Hungria, rainha e serva dos pobres e dos enfermos, D. Nuno Brás convidou a assembleia a “pedir ao Senhor que nos ajude a todos a viver este momento que é difícil” e a ter “a fé que nos dá força e coragem” para podermos vencer esta pandemia.

Mais tarde, na homilia, o prelado voltaria a refletir sobre o tempo presente para sublinhar que “nós cristãos não podemos viver este momento de ânimo leve”. O mesmo é dizer que se perante a atual situação a nossa primeira atitude, legítima, é “pedir ao Senhor que nos livre desta peste, deste problema que paralisa toda a nossa vida”, também temos de “nos interrogar sobre o que é que Deus quer de nós, como é que Ele nos chama a viver esta situação de emergência e o que é que ela pode significar na nossa vida cristã”.

Em primeiro lugar, disse o prelado, temos de tomar consciência de que vivíamos num mundo que “estava habituado ao individualismo” e que “Deus convida-nos, antes de mais nada, a tomarmos consciência de que afinal de contas somos humanidade, que vivemos uns com os outros, que necessitamos uns dos outros e que só uns com os outros verdadeiramente conseguimos alguma coisa”. E isso implica também “cuidarmos uns dos outros”.

É a isso, frisou, que esta emergência sanitária também nos convida. “Convida-nos a tomarmos consciência de que não somos tão fortes, tão sábios e tão capazes quanto isso”. A prova é que “um pequeno bicharoco, que nós não conseguimos ver, conseguiu paralisar num mês o mundo inteiro” e que “o horizonte é de que ele permanecerá durante muito tempo”.

Tudo isto nos vem mostrar, lembrou D. Nuno, que continuamos “seres frágeis”, mas seres frágeis que “encontram a sua fortaleza na fé” e em Deus, porque “com Deus somos capazes de perceber que, por muito que este vírus nos ataque, que este vírus destrua o nosso modo de viver, nós temos outros horizontes, temos horizontes de vida eterna”.

As leituras do dia falavam-nos desta necessidade de verdadeiramente olharmos para o outro e de o acolhermos. E se há quem esteja habituado a acolher gente de fora são aqueles que trabalham no turismo, conforme referiu o prelado. A questão está em saber como é que o temos feito. “A nós que andamos muito preocupados em acolher bem o estrangeiro que nos vem visitar, Deus não deixa de perguntar como é que tu me acolhes, a mim que bato à tua porta”, explicou para logo acrescentar que precisamos perceber “que lugar verdadeiro nós damos a Deus na nossa vida e de uma forma muito particular nestes momentos difíceis”.

É precisamente nestes momentos que devemos pedir ao Senhor que “nos ajude a olhar pelos outros” sem medos e sem receios e “pedir que ele inspire os cientistas, os estudiosos e os governantes de modo a que toda esta situação seja menos grave e que encontrem rapidamente a solução”.

De resto, prosseguiu, “queremos pedir ao Senhor esta graça de termos a força, a coragem de construirmos um mundo novo, um mundo diferente, um mundo melhor de que aquele que estávamos a viver em março”.

Esse é de resto, lembrou, o projeto do Papa Francisco para um mundo pós-pandemia, implícito na encíclica ‘Todos Irmãos”, que D. Nuno Brás convidou todos a ler para “ganharmos esta coragem” de respondermos a este apelo do Papa: todos irmãos”. Desejou ainda que “ao menos isso nós tenhamos aprendido nesta situação de emergência em que vivemos” e que “todos irmãos seremos capazes de sair desta crise, mais fortalecidos, com um novo horizonte, e capazes de acolher o estrangeiro que vem até nós com um outro olhar”.

De referir que esta Eucaristia, concelebrada pelo Pe. João Carlos Gomes, pároco do Imaculado e pelos padres, Carlos Almada e Giselo Andrade, foi organizada pelo Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo. Nela estiveram presentes o Secretário Regional do Turismo e ainda Paula Margarido, membro da equipa do referido secretariado, bem como alguns trabalhadores do setor.