Centralidade de Cristo e o anúncio Kerigmático (4)

D.R.

É frequente encontrar adultos não suficientemente evangelizados. Talvez tenha havido um predomínio da instrução sobre a evangelização. Daí que São Paulo VI, partindo das orientações do referido Sínodo dos Bispos de 1974, pergunte se a Igreja, em geral, convencida da urgência da evangelização, esteja igualmente convencida a todos os seus níveis, da necessidade de, antes de mais, ser evangelizada e converter-se em comunidade cristã verdadeiramente viva?    

O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, afirma que «voltamos a descobrir que também na catequese tem um papel fundamental o primeiro anúncio, ou querigma, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial» (EG, 164). O querigma é sólido, profundo, seguro, consciente e sábio. Toda a formação cristã é, em primeiro lugar, o aprofundamento do querigma, que ilumina a tarefa catequética (Cf. EG, 165). É o anúncio que dá resposta ao anseio de infinito que existe em todo o coração humano. Por isso, o querigma necessita de certas características, tais como: expressão do amor salvífico de Deus; que não imponha a verdade, mas faça apelo à liberdade; que seja pautado pela alegria, estímulo, vitalidade e integralidade harmoniosa. Isso exige do evangelizador atitudes como proximidade, abertura ao diálogo, paciência, acolhimento cordial que não condena (Cf. EG, 165).

A catequese desenvolveu nas últimas décadas desenvolveu a iniciação mistagógica, que significa duas coisas: «a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade, e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã» (EG, 166).

«O encontro catequético é um anúncio da Palavra e está centrado nela, mas necessita sempre duma ambientação adequada e duma motivação atraente, do uso de símbolos eloquentes, da sua inserção num amplo processo de crescimento e da integração de todas as dimensões da pessoa num caminho comunitário de escuta e resposta» (EG, 166).