148º Aniversário: Banda Municipal de Câmara de Lobos realiza concerto na Igreja de Santa Cecília

D.R.

A igreja de Santa Cecília vai acolher, no próximo dia 14 de novembro, um concerto da Banda Municipal de Câmara de Lobos com o qual a coletividade vai assinalar o seu 148º aniversário.

Este evento, agendado para as 20:30 horas desse dia, conta com o apoio da autarquia de Câmara de Lobos, da junta de freguesia e da paróquia de Santa Cecília.

Recorde-se que a Banda Municipal, também conhecida por Música Velha, nasceu a 18 de Novembro de 1872, por iniciativa de João Nóbrega de Noronha, então com a designação de Filarmónica Recreio dos Lavradores. 

Em 20 de Março do ano seguinte, “os doze executantes da colectividade dispunham de instrumentos, adquiridos em Lisboa, e haviam iniciado já os ensaios sob a direcção do seu habilitado regente e fundador, João Nóbrega de Noronha”. 

A 5 de Outubro de 1873, a Filarmónica Recreio dos Lavradores realizava a sua primeira actuação pública, na festa do Santo Servo de Deus. “Desde o dealbar do último quartel do século, a filarmónica apresentou-se nas festividades religiosas realizadas nas paróquias de Câmara de Lobos e Estreito de Câmara de Lobos e naquelas das freguesias próximas do Campanário, de São Martinho, Santo António e Santa Luzia (Funchal) e tocou ainda nos arraiais da Camacha e Calheta, chefiada por João Nóbrega de Noronha, que em 1908  se viu impossibilitado, por motivos de saúde, de prosseguir nesse exigente labor artístico”. 

Sob a regência de João Rodrigues do Nascimento (1908-1910; 1915), Artur Maria Lopes (1912-1916) e Francisco Fernandes da Silva Júnior (1916-1966), “incrementaram-se os contratos à “música velha”: desde pelo menos 1910, a Filarmónica Recreio dos Lavradores organizava o seu efectivo – que em 1915 contabilizava trinta e cinco executantes – em duas divisões, por forma a garantir a animação de festas religiosas em várias localidades. Naquelas cinco décadas, a par dos regulares serviços nas paróquias do concelho de Câmara de Lobos, da vila à Quinta Grande e ao Curral das Freiras, a filarmónica apresentou-se nos arraiais da Fajã de Ovelha, São Vicente e Porto Moniz e Boaventura; do Arco da Calheta, Calheta, Madalena do Mar e Jardim do Mar; do Caniço e Machico; e de Santo António, Vitória – São Martinho, São Martinho, Monte, São Gonçalo, Santa Rita e São Pedro, do Funchal. A colectividade terá ainda constituído, nas primeiras décadas do século XX, uma “orquestra de igreja” – um coro, acompanhado por um ensemble de instrumentistas –  que acompanhava a filarmónica nos seus serviços, oferecendo o fausto e solenidade à celebração religiosa: em Março de 1917, pouco após da nomeação do músico militar Francisco Fernandes da Silva para a regência da colectividade, anunciava-se que Anselmo Baptista Serrão tomava a direcção daquele agrupamento vocal e instrumental. A filarmónica câmara-lobense era ainda contratada para outros entretenimentos populares: desde inícios do século, tocou a bordo em várias viagens de recreio à volta da Ilha, e em 1934, seguiu numa excursão a Porto Santo, realizando ainda um concerto no Jardim da Vila”.

A Filarmónica Recreio dos Lavradores “tomou parte, desde os primeiros anos de actividade, em cerimónias cívicas, recepções, funções beneméritas e outros eventos. A 18 de Fevereiro de 1884, a colectividade apresentava-se, sob a regência de João Nóbrega de Noronha, pela primeira vez no Funchal, e aí retornaria em Dezembro de 1895, para tomar parte na Quermesse em benefício dos inundados, realizada no Jardim Municipal. Entre várias outras presenças em cerimónias cívicas, merece menção o seu contributo artístico nas comemorações realizadas no Club Republicano (Funchal) por ocasião do primeiro aniversário da Implantação da República; e nas celebrações da assinatura do armistício, realizadas na Igreja paroquial do Estreito de Câmara de Lobos em 1918; nas comemorações do 1º de Dezembro, organizadas pela Mocidade Portuguesa em 1943; e; na recepção local ao Presidente da República, Marechal Craveiro Lopes, em 1955. A colectividade apresentou-se ainda nas Festas do 4.º Centenário da criação da freguesia de Nossa Senhora do Monte, realizadas em 1965. Em reconhecimento a várias outras instituições artísticas e desportivas regionais e nacionais, a mais antiga filarmónica câmara-lobense participou na recepção à Tuna Académica de Coimbra, em 1925; em 1926, interpretou algumas obras no sarau organizado, em sua honra, pela Banda Distrital do Funchal; realizou dois concertos, em 1930 e 1950, em comemoração do octogésimo e centésimo aniversários da Banda Municipal do Funchal e apresentou-se na Quermesse das Bodas de Ouro do Clube Desportivo Nacional, realizadas na Quinta Vigia, em 1960”.

Cartaz

Notável foi a “actividade concertística da Filarmónica Recreio dos Lavradores, em que prosperou sob a direcção artística de Francisco Fernandes da Silva e dos seus sucessores: no Concurso de Bandas Civis, realizado no Funchal a 24 de Novembro de 1929, a filarmónica obteve o 2º lugar e Diploma de Honra, na 2ª categoria e, em Dezembro seguinte, apresentava-se em concerto no Jardim Municipal (onde regressaria ainda em 1932). Meses depois da distinção, a 21 de Março de 1930, por proposta do vogal da Comissão Administrativa Francisco de Barros de Sousa, a Câmara Municipal atribuía-lhe o título de “Banda Municipal de Câmara de Lobos”, que a Filarmónica Recreio dos Lavradores empenhou desde então; curiosamente, a 20 de Janeiro do mesmo ano, a colectividade havia transitado do sítio do Serrado da Adega para uma nova sede social, na Rua Principal da Vila (actualmente rua São João de Deus, 98-100). Em 1937, goraram-se os esforços para a inscrição no Concurso de Bandas Civis que se realizava em Lisboa. Desde pelo menos 1943, a Banda Municipal de Câmara de Lobos procurou contribuir para a instrução musical dos seus conterrâneos,  organizando regulares concertos na Praça 28 de Maio, que prosseguiam duas décadas depois. Entre 1959 e 1960, a instituição participou no Grande Concurso Nacional de Filarmónicas e Bandas de Música Civis, dinamizado pela FNAT, apurando-se, na 1ª eliminatória, realizada em Dezembro, no Funchal, para a 2ª, que decorreu em Setúbal, em Maio seguinte. Fernandes da Silva, forçado a abandonar, por problemas de saúde, a chefia da instituição em 1967, confiou a regência a Raul Gomes Serrão, que soube honrar o longevo labor do mestre com os executantes câmara-lobenses: em Agosto de 1968, a Banda Municipal de Câmara de Lobos mereceu o 2º lugar na eliminatória de segundas categorias, no II Concurso Nacional de Bandas de Músicas Civis, realizado, pela FNAT, no Funchal”.

“Regida por Raul Gomes Serrão (1967-1980; 1976-1980), José da Costa Miranda (1973-1974), José António Nunes Faria (int. 1977-1980; 1980-1986); Virgílio Vieira Marques dos Ramos (1987-1990); Alberto Cláudio de Sousa Barros (1990-2014) e Armando Santos (2015-), a Banda Municipal de Câmara de Lobos prosseguiu com as suas animações em festas religiosas, com a sua participação em cerimónias, e, particularmente, com os seus concertos: em 1974, apresentava-se no coreto ao Largo 28 de Maio (Largo da República); em 1976, comemorava o seu centésimo-quarto aniversário com um concerto no mesmo espaço e associava-se às comemorações do 1º de Maio, organizadas na Madeira, pelo INATEL. Em 1977, a filarmónica persistia nessa senda da instrução musical das comunidades locais, promovendo vários concertos em todas as freguesias do concelho. Sob a batuta de José António Faria, que havia em 1980 concluído a sua formação no Conservatório de Música da Madeira, a colectividade câmara-lobense realizou, em 1981 e 1984, concertos naquele estabelecimento de ensino artístico, enquanto continuava com os habituais concertos na vila de Câmara de Lobos. Em Novembro daquele último ano, a “música velha” deslocou-se em digressão à Venezuela, a convite do Centro Social Madeirense de Valencia. A 16 de Novembro de 1986, a instituição editou o seu primeiro registo fonográfico.”

No breve período em que serviu na instituição, “coube a Virgílio Ramos ainda o mérito de dirigir a Banda Municipal de Câmara de Lobos no II Festival  de Bandas José Gomes Figueiredo, realizado na cidade da Amadora, a 18 de Setembro de 1988. No âmbito de um intercâmbio, a colectividade acolheu a Filarmónica do Sagrado Coração de Jesus e Maria em 1993, deslocando-se, em 1997, por ocasião do centenário daquela instituição, a Chãs (Leiria). Ainda sob a regência de Alberto Barros, a Banda Municipal de Câmara de Lobos tomou parte nas comemorações do Dia da Madeira (6 de Setembro) na Expo’ 98; e, em intercâmbio com a Banda Bingre Canelense, apresentou-se em Aveiro a 14 e 17 de Setembro de 2001. Dois novos trabalhos discográficos da Banda Municipal de Câmara de Lobos foram editados pouco depois, em Novembro de 2001 e Junho de 2002”.

Profícuo foi também “o labor dos titulares dos órgãos sociais, e especialmente após o centenário da colectividade: a 17 de Maio de 1974, outorgados os estatutos no Cartório Notarial de Câmara de Lobos, a Banda Municipal de Câmara de Lobos habilitou-se como associação com reconhecida entidade jurídica. A 11 de Dezembro de 1991, a instituição celebrava protocolo com o Governo Regional para a aquisição da sua sede social: a dívida contraída de quinze mil contos, amortizáveis em quinze anos, foi, em Abril de 2000, remitida pelo Governo. Adquirido o imóvel ao sítio da Torre a 26 de Novembro de 1993, directores, executantes e associados anteciparam adequá-lo às actividades artísticas e formativas da instituição. Em 2007, projectaram-se novas instalações e em 2009 iniciou-se a edificação, financiada por contrato-programa celebrado com o Governo Regional”.

A Banda Municipal de Câmara de Lobos foi declarada Instituição de Utilidade Pública a 22 de Novembro de 1979 e, a 4 de Outubro de 2018, por ocasião da efeméride da elevação a concelho de Câmara de Lobos, a Câmara Municipal atribuí-lhe a Medalha de Honra do Município, pelo assinalável empenho na formação musical de centenas de câmara-lobenses nos seus cento e quarenta e seis anos de actividade.