Conjunto de ícones reunidos por D. Teodoro vão pertencer ao Museu de Arte Sacra do Funchal

Foto: Duarte Gomes

Os ícones que se encontram reproduzidos no novo livro de D. Teodoro de Faria, com exceção de dois, “um do pintor grego Dionísio que é o do Calvário e outro da Catedral do Funchal que é de Maria apresentada no templo”, vão pertencer ao Museu de Arte Sacra”.  

O anúncio foi feito pelo próprio D. Teodoro de Faria, na passada terça-feira, dia 20 de outubro, precisamente aquando da apresentação na Igreja do Colégio da obra intitulada ‘Ícones – A Beleza Salvará o Mundo’, com chancela da Lucerna e vão servir, conforme frisou o bispo emérito, “para evangelização do povo de Deus e dos visitantes”.

Depois de recordar um episódio que chegou ao seu conhecimento e que relatava o facto de uma turista, da Igreja Ortodoxa, se ter ajoelhado e rezado em frente de um ícone oriental existente num dos nossos museus, D. Teodoro de Faria lembrou que “a missão do ícone é precisamente fazer ajoelhar e rezar”.

No início da cerimónia coube a João Henrique Silva, na qualidade de Diretor do Museu de Arte Sacra, contextualizar a apresentação desta obra que, disse, “tem especial relevância no contexto dos muitos títulos já trazidos a público pelo seu autor”. Dito de outra forma, “este não é só mais um livro de D. Teodoro, mas o livro”, tanto pela história e contexto que levou à sua edição como pela “dimensão da qualidade, sabedoria e beleza que dele dimana”.

A presente edição, explicou, “é o culminar de um processo que se estende ao longo de uma vida”. Um processo que “tem na extraordiária coleção de mais de uma centena de ícones de D. Teodoro, uma memória viva de anos de estudo, viagens, espiritualidade e amor à beleza”.  

O diretor do MASF, acrescentou ainda que “apresentar neste templo o livro dos ícones é também alcançarmos a sintonia perfeita entre fé, arte e cultura que tão elevada expressão alcançaram, tanto na beleza barroca deste templo como na divina beleza da arte dos ícones”.

A apresentação da obra propriamente dita esteve a cargo de Irina Marcelo Curto, iconógrafa e investigadora especialista em arte russa que sublinhou “a honra e o privilégio” de poder apresentar este livro que expõe, “com cuidadosa demora” o percurso das igrejas cristãs dos primeiros séculos.

A obra, disse, “vem dar outro fundo e amplo significado” ao assunto abordado, tanto mais que “não existem, em Portugal, obras que com tanta sapiência falem da história da iconografia” e que sejam tão sensíveis ao “intenso significado” de um ícone para o povo russo. 

Estamos “muito gratos”

A terminar a apresentação usou da palavra o Bispo do Funchal, que agradeceu a D. Teodoro por mais esta obra que, frisou, nos deixa a todos “muito gratos”. 

Esta espécie de compêndio, disse, ajuda-nos a “entender um pouco melhor aquilo que é a teologia da Beleza e aquilo que é o ícone na sua história, mas também na sua teologia”.

O prelado disse ainda que “esta sua obra só não estará integrada nas grandes bibliografias sobre os ícones, porque foi escrita em Português, mas se tivesse sido escrito numa outra língua, tenho a certeza que integraria essa bibliografia, que já é extensa”.

“Verdadeiramente temos aqui uma obra que nos orgulha a nós, mas sobretudo uma obra que nos ajuda a descobrir esta beleza de Deus que vem até nós e que nós podemos apreciar e com a qual nos devemos deixar surpreender, quando não apenas vemos, mas quando nos deixamos contemplar por um ícone”, disse a concluir D. Nuno Brás.