Vigário Geral deu posse aos párocos Marcos Pinto e Élio Gomes

Foto: Duarte Gomes

Terminaram no fim de semana, com o Pe. Marcos Pinto na paróquia de Câmara de Lobos e o Pe. Élio Gomes na paróquia do Caniçal, as tomadas de posse de novos párocos nomeados pelo bispo do Funchal no passado mês de julho.

Uma vez mais coube ao vigário geral da diocese presidir a ambas as Eucaristias, tendo este sublinhado precisamente a coincidência de terem ficado para últimas duas paróquias com o mesmo orago (São Sebastião) e uma grande devoção à Senhora da Piedade, e duas comunidades paroquiais em que boa parte dos seus elementos se dedicam a uma mesma atividade: a pesca. Duas terras de peixe, que é também símbolo da Eucaristia.

Em Dia das Missões e depois de agradecer, tanto aos sacerdotes que cessaram funções como aos que iniciaram a sua atividade, pela “disponibilidade” e “generosidade” com que aceitaram as suas, o cónego Fiel explicou que não é preciso ir para a África para ser missionário, porque ser missionário é ter esta disponibilidade para “dizer sim ao Senhor”, ir para onde somos chamados e sentirmo-nos bem com isso. 

Depois de lembrar que o sacerdote precisa do povo que lhe foi confiado para conseguir cumprir essa mesma missão, o vigário geral explicou que essa ajuda pode ser dada sobretudo sob a forma de oração, especialmente quando as coisas correm menos bem porque, frisou, somos todos pecadores e são também pecadores os homens que Deus coloca a servi-lO. E embora o sacerdote seja “aquele que abençoa e que perdoa”, explicou, “ele também precisa muito da vossa oração”.

De resto, e embora tenha sido o primeiro a referir que não estava ali para “deixar recados a ninguém”, a verdade é que, em ambas a comunidades, repetiu a mesma ideia de que “se rezassemos mais e relatassemos menos o mundo seria muito melhor”. 

Depois de pedir para que as pessoas não percam a “capacidade de dialogar com o senhor padre”, sobretudo nas horas em que sentirem que as coisas estão a correr menos bem, o vigário geral lembrou, no entanto, que a nossa prioridade devem ser os outros e não nós mesmos, sendo que isso é também válido para o sacerdote, que deve colocar o povo de Deus à frente de tudo.

O vigário geral agradeceu ainda às famílias, tanto do Pe. Marcos como do Pe. Élio, por estarem na retaguarda das suas vidas e os ajudarem também a levar por diante aquilo que lhes é pedido e sobretudo para continuarem a ajudar a construir um mundo bom, “sem contravalores” e sem “coisas a nos puxar para o egoísmo, para a maldade, para o ódio, para darmos prioridade a nós próprios em vez de a dar aos outros”. O sacerdote, explicou o cónego Fiel, está “na linha da frente para dizer e mostrar, que a sua prioridade são os seus paroquianos e para morrer por eles e mostrar que o mundo é bom, e por isso dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, e que com Deus o mundo é melhor. 

Tal como aconteceu nas anteriores tomadas de posse, também nestas foi feita a leitura das respetivas cartas de nomeação de D. Nuno Brás, a profissão de fé dos novos párocos com o juramento de fidelidade ao bispo, ao Papa e a toda a Igreja e a renovação das promessas sacerdotais, a entrega do lecionário e das chaves do Sacrário. 

Cheirar a ovelhas e a peixe

Ambos os sacerdotes empossados, dirigiram-se às suas novas comunidades no final das respetivas celebrações. O Pe. Marcos começou por agradecer a todos pela presença, desde as autoridades, aos membros das confrarias, passando pelo povo. 

“Vamos iniciar um novo projeto, uma nova vida”, disse o sacerdote que quer, como diz o Papa, “cheirar a ovelha, mas também cheirar a peixe e sem problema nenhum”. 

O Senhor, lembrou, “dá-nos um coração sacerdotal, que não é nosso que pertence naturalmente ao povo, e nos dá a capacidade de nós sermos capazes de dar a vida por vós. Isto não é natural em mim. Eu sou mau, sou miserável, mas o Senhor dá este poder aos seus sacerdotes de sermos capazes de dar a vida por vós”.  E este dar a vida, explicou, não passa apenas por “celebrar muitas missas e ficar cansado”, mas por estar sempre disponível para atender quem o procurar.

“Eu quero caminhar convosco, quero pedir ao senhor padre Eleutério que me ensine, que ele é um grande professor, que me ajude a catequizar este povo e a caminhar convosco porque eu também quero ir para o céu e não está nada garantido na minha vida”, frisou.

Por isso “com a palavra de Deus, com os sacramentos, se Deus quiser, nós vamos conseguir disse a terminar o Pe. Marcos que agradeceu, desde já “o vosso esforço e a vossa amizade” e por já se sentir em casa.

Quanto ao Pe. Élio, fez os mesmos agradecimentos, incluindo neles “Deus e a Senhora da Piedade” e também o Pe. Pereira que, disse, terá sempre ali a sua casa. 

Agradeceu ainda ao bispo diocesano pela confiança em si depositada, garantindo que irá “pedir a Nosso Senhor que me dê força e humildade para estar à frente desta comunidade e seguir as suas devoções, tradições e cultura”, até porque a comunidade que serve agora é outra, “mas Deus é o mesmo” e assim sendo, em vez de pastor quer ser pescador de homens.

Agradeceu igualmente “o acolhimento” que teve e que “conta muito”, porque “é o início de um novo caminho” e esta é de facto “uma nova etapa tanto para a minha vida pessoal, como para a minha minesterial e para a vida da paróquia do Caniçal”. “Conto com a vossa ajuda, com o vosso carinho e com a vossa proximidade”, frisou.

A terminar de referir que no sábado, na paróquia de Câmara de Lobos, tomou também posse o Pe. Eleutério Aguiar, nomeado administrador paroquial, que vai assim ajudar o Pe. Marcos Pinto a ‘governar’ mais esta paróquia que passou a ter à sua guarda, já que continua a ser pároco do Carmo.