MASF assinala hoje o Dia dos Bens Culturais da Igreja com abertura da exposição “Celebração e Corpo” 

Foto: Duarte Gomes

O Museu de Arte Sacra do Funchal assinala hoje, dia 18 de outubro o Dia Nacional dos Bens Culturais da Igreja, com a abertura da exposição “Celebração e Corpo”.  Excecionalmente, para assinalar esta efeméride, o museu estará aberto este domingo, entre as 10 e as 17 horas, sendo a entrada gratuita.

Entretanto, na passada sexta-feira teve lugar a apresentação desta exposição, tendo a mesma contado, entre outras, com a presença do bispo do Funchal D. Nuno Brás, de João Henrique Silva, diretor do museu e da escultora madeirense Carmen.

“Celebração e Corpo”, conforme foi sendo explicado na visita guiada está dividida em duas partes. A primeira “refere-se à exposição de visita presencial na sala de exposições temporárias, com o trabalho da escultora e a segunda parte é a realização, simultânea, de uma exposição digital que será apresentada nas redes socais do MASF, Instagram e Facebook, a partir de hoje, dia 18 de outubro.

A exposição na sala de exposições temporárias “constitui-se como proposta visual para repensar, hoje, a relações humanas com o meio ambiente, a partir de uma narrativa que retoma a ligação do feminino com as forças da natureza e tece diálogos com as obras, o espaço e a identidade deste museu”.

Com curadoria interna de Martinho Mendes, também presente na apresentação, ficamos ainda a saber que a mesma resultou de um convite feito à escultora Carmen em 2018. “A proposta deu origem a várias visitas realizadas pela artista ao museu com o objetivo de colher, nas suas coleções, a inspiração e o mote necessários à realização de um projeto específico.”

Todo o trabalho desenvolvido “inspirou-se a partir da coleção de têxteis, designadamente os paramentos litúrgicos que a artista pôde conhecer, junto dos técnicos, nas reservas do museu, tendo a escolha principal recaído sobre um fragmento de um roquete com Bordado Madeira, do início do século XX, que chegou ao museu há algumas décadas.
“Foi a fragilidade do linho, as marcas da passagem do tempo sobre o tecido, bem como os diferentes elementos da natureza e da Eucaristia, compostos e bordados com o bordado Madeira, que mais tocaram a artista”, lê-se ainda numa nota distribuída à comunicação social no final da apresentação.

A exposição integra, com efeito, dois têxteis da coleção do MASF, em reserva, e “estabelece diferentes diálogos com as esculturas, com a fotografia, o vídeo e o som propostos pela artista através de uma disposição espacial imersiva”. Este projeto tece, ainda, “uma ligação à encíclica Laudato Si: Sobre o cuidado da Casa Comum, escrita pelo Papa Francisco em 2015. Inspirada no Cântico das Criaturas de São Francisco de Assis, um longo poema que glorifica as criações do Altíssimo – o Sol, a Lua, o Vento, a Água, o Fogo, a Terra e a Morte Corporal –, a encíclica vem recordar como tudo está interligado e clama pela urgência da construção, individual e coletiva, de uma ecologia integral – ambiental, económica e social – (LS, n.138), que reponha a harmonia e escute a mensagem de todos os seres da Terra, um planeta em gritante exaustão”.

Experiência desafiante

Antes da visita guiada o diretor do MASF deu conta de que é sempre “uma experiência desafiante tentar fazer um trabalho com arte contemporânea neste espaço” e lembrou que o MASF tem assinalado esta efeméride desde 2016 com exposições específicas para este dia, ora incidindo em temáticas que evocam e reúnem o património e arte sacra do arquipélago, entre os séculos XV a XIX, ora facilitando diálogos e (re)interpretações entre esse mesmo património e o pensamento, a cultura e as artes contemporâneas. Já agora refira-se que o tema nacional proposto pelo SNBCI às dioceses para este foi “Património(s) Partilhado(s)”.

Depois de considerar que “esta exposição vem consolidar todo este trabalho anterior”, João Henrique Silva, explicou ainda que a exposição procura “introduzir temas e pistas de leitura que cruzam o religioso, a natureza, o trabalho artístico e artesanal”.

Apesar das atuais restrições aos ajuntamentos, o diretor do museu desejou que a exposição temporária possa ser vista por muita gente, lembrando que a mesma estará aberta até ao dia 31 de janeiro de 2021  que, eventualmente, “as visitas até podem ser mais produtivas se realizadas por pessoas de certas áreas que têm determinado interesse  e aprofundam conhecimento”.

Depois de garantir que esta data vai ser sempre celebrada, João Henrique Silva avançou com novidade de que o museu está a pensar explorar outras vertentes de trabalho, nomeadamente o restauro. “Estamos a pensar que em vez de uma exposição desta escala poderemos avançar com exposições mais pequenas que mostrem o trabalho feito, por exemplo, ao nível do restauro de uma peça importante do museu, que esteja a precisar muito desse trabalho”. Na prática a ideia é, neste dia 18 de outubro, estar a mostrar a peça e toda a informação relativa a esse trabalho de restauro.

Depois dos agradecimentos da artista, pelo convite e por todo o trabalho de equipa que tornou possível esta exposição, que no período de abertura semanal pode ser vista de terça a sábado, das 10 às 17 horas, foi a vez do bispo do Funchal agradecer à escultora Carmen e ao museu por esta exposição que vai deixando “pistas que nos convidam a olhar mais além” e a explorar, por exemplo, relações existentes entre natureza, arte sacra, paramentos, Bordado Madeira e arte contemporânea.

De resto, refira-se que a partir das premissas temáticas e potencialidades de comunicação existentes entre as dimensões, física e virtual, da exposição temporária, que o visitante normal poderá explorar, foi ainda “desenhado um programa educativo para decorrer no espaço presencial e no espaço digital”.

As atividades, no seu conjunto, irão permitir explorar precisamente as relações referidas anteriormente. As ações, que contemplam visitas comentadas à hora de almoço, visitas orientadas, oficinas criativas temáticas e conferências, serão divulgadas no decorrer dos meses de outubro, novembro, dezembro e janeiro.