Todos irmãos (II)

D.R.

“Fazemos apelo àquele mínimo de consciência universal e de preocupação pelo cuidado mútuo que ainda possa existir nas pessoas”: é deste modo que o Papa Francisco se expressa na recente encíclica “Fratelli tutti” (117).

Este é um apelo triste. Quando o Papa precisa de fazer apelo ao “mínimo de consciência” significa que fomos perdendo, dia após dia, a consciência de humanidade que nos caracteriza a nós, seres humanos. 

De entre toda a realidade criada, apenas nós, seres humanos, somos conscientes. E isso torna-nos irmãos uns dos outros. Não existe outra humanidade igual a nós, tal como não existe outro ser humano que seja cópia exacta de alguém. 

Cada um de nós é único mas, ao mesmo tempo, é portador de humanidade, e apenas nós, seres humanos, o podemos ser. Nenhuma máquina, nenhuma outra qualquer invenção, nenhum outro animal traz consigo esta “humanidade” desde o momento em que é concebido até à sua morte natural. 

É triste, quando é necessário fazer apelo não já à “muita” consciência ou sequer a uma “suficiente” consciência daquilo que nos torna humanos, mas apenas ao “mínimo” de consciência…

Por outro lado, no entanto, isso significa que nem tudo está perdido. Ainda existe um “mínimo de consciência” que nos faz perceber que a sorte daquele que se encontra ao meu lado tem a ver com a minha vida. E que a minha vida tem implicações com todos os demais seres humanos.

Algo nos torna humanos. É preciso não o perder. E é preciso vivê-lo, percebendo que, de facto, somos todos irmãos.