Covid-19: Cáritas Portuguesa apoia perto de 6000 pessoas em dificuldades

Instituição apela à solidariedade, no Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza

D.R.

A Cáritas Portuguesa referiu hoje que apoiou perto de 6000 pessoas em dificuldades, por causa da pandemia da  Covid-19, apelando “à ajuda e participação de todos os portugueses”, numa mensagem pelo Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que se assinala este sábado.

“Vivemos tempos muito difíceis e a verdade é que tendo em conta os indicadores públicos, as dificuldades podem vir a ser muito maiores a partir do último trimestre deste ano, com agravamento no primeiro trimestre de 2021. Por este motivo é tão importante a ajuda e união de todos nós”, indica o presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, na nota enviada hoje à Agência ECCLESIA.

A instituição católica explica que, por causa da crise provocada pela pandemia, “foram inúmeros os novos pedidos de apoio por parte das famílias”.

A rede nacional Cáritas ajudou perto de 6000 pessoas, entre abril e outubro, no âmbito do programa ‘Inverter a Curva da Pobreza em Portugal’, de resposta direta às vítimas do novo coronavírus.

A Cáritas Portuguesa destaca que este apoio “não representa a totalidade do trabalho” de cada Cáritas Diocesana, as quais  “continuam a prestar apoio no atendimento social e a trabalhar nos seus projetos locais de desenvolvimento social”.

Atualmente, os pedidos de ajuda surgem essencialmente por causa da perda do posto de trabalho (61%) ou à redução significativa dos rendimentos (13%) e a grande maioria são de cidadãos portugueses, a que se somam pessoas de outras nacionalidades como Brasil, Angola, Índia, S. Tomé, Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Segundo a instituição de solidariedade, apesar das necessidades a nível alimentar, a Cáritas é, “cada vez mais, a principal organização na resposta financeira” a pedidos concretos, destacando-se o apoio ao pagamento de despesas de rendas para habitação (61%), de despesas relacionadas com a saúde, como a aquisição de medicamentos e realização de exames médicos (17%) e ao pagamento de despesas relacionadas com a eletricidade (11%).

As Cáritas Diocesanas, para complementar os cabazes de bens, também atribuem um valor em vales de aquisição, que permite às famílias, “de forma autónoma”, adquirir produtos que habitualmente não é possível receberem como carne, peixe, legumes e vegetais.

“Acreditamos que através do recurso a esta forma de apoio estamos a contribuir para que cada família mantenha alguma autonomia, bem como a proteger a dignidade de quem se vê confrontado com a necessidade de recorrer à ajuda das Instituições”, refere Eugénio Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa.

Por ocasião do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza (17 de outubro), a Cáritas apela à “emissão de uma diretiva da União Europeia juridicamente vinculativa sobre os regimes de rendimento mínimo adequados em todos os Estados-Membros”.

Neste contexto, a Cáritas Europa saúda a recente adoção das conclusões do Conselho da União Europeia sobre o “reforço da proteção do rendimento mínimo para combater a pobreza e a exclusão social” na pandemia da Covid-19 e a criação de “medidas necessárias para a inclusão das pessoas e a sua plena participação na sociedade”.

CB/OC