Covid-19: Responsabilidade pelos mais velhos “não pode ser tarefa exclusiva do Estado”

D.R.

“Queremos salientar, sobretudo, que cuidar dos idosos não pode ser tarefa exclusiva do Estado. Todos, famílias e outras instituições, bem como cidadãos em geral, devem partilhar, com dedicação, a responsabilidade de garantir aos idosos a manutenção da sua dignidade de pessoa até à sua morte”, lê-se na nota enviada hoje à Agência ECCLESIA.

A CNJP assinala que ao Estado “não compete tudo”, mas é a ele que “tem de se exigir a criação de uma política de apoio aos idosos” onde estejam definidos objetivos e meios para “aplicar com recurso a meios financeiros próprios e de terceiros”.

“Sempre que possível, deve ser facilitada a permanência do idoso em sua casa e com a sua família, sem ignorar que essa permanência exige muitas vezes várias formas de apoio externo que têm faltado. Quando esgotada essa possibilidade, o recurso aos lares deve ser encarado”, salienta o documento.

O organismo católico defende que o funcionamento dos lares “deve ser profundamente alterado”, com reforço de meios humanos e materiais, “e acréscimo de comparticipações do Estado”.

A CNJP considera que para uma maior eficácia do serviço prestado nos lares “é necessária uma tipologia diferente” da atual com a “criação de lares especializados” e refere que apoiar o idoso “não é uma prática assistencialista facultativa”, mas “dar resposta a um direito inalienável que ele adquiriu ao longo da sua vida”.

O organismo da Conferência Episcopal Portuguesa cita o Papa Francisco na sua mais recente encíclica ‘Fratelli Tutti’, sobre a fraternidade e a amizade social: “Isolar os idosos e abandoná-los à responsabilidade de outros, sem um acompanhamento familiar e adequado e amoroso mutila e empobrece a própria família. Além disso, acaba por privar os jovens daquele contacto que lhes é necessário com as suas raízes e com uma sabedoria que a juventude, sozinha, não pode alcançar”.

Para além da nota ‘Cuidar dos idosos: dever e responsabilidade de todos’, a Comissão Nacional Justiça e Paz partilhou também uma reflexão, na qual sublinha que muitos idosos “morrem após um período de vida em que foram perdendo qualidades intelectuais, atingidos por doenças que condicionam o viver e, nalguns casos, que os deixam totalmente incapacitados não podendo sobreviver sem apoio”.

O organismo de leigos católicos reflete sobre a “permanência do idoso na sua residência”, “na família alargada”, em Centros de Dia e em Lares de Idosos, alertando para a “situação dos lares ilegais”, e “em unidades de cuidados paliativos”.

“A situação dos idosos deve se objeto de atenção de todos. Os idosos não são “seres descartáveis”; pelo contrário são gente que deve ser respeitada e amada por todos; Apoiar o idoso não é uma prática assistencialista facultativa, é, antes, dar resposta a um direito -inalienável que ele adquiriu ao longo da sua vida”, conclui a Comissão Nacional Justiça e Paz.

CB/OC