Centralidade de Cristo e o anúncio Kerigmático (1) 

D.R.

Anunciar Cristo e o Evangelho aos homens é sempre um tema presente e atual. Foi nesse sentido que os Bispos da Assembleia Geral do Sínodo de outubro de 1974, refletiram sobre o tema da evangelização no mundo contemporâneo. Passado algum tempo, pouco mais de um ano, o Papa São Paulo VI apresentou a toda a Igreja a exortação apostólica Evangelii nuntiandi, fruto das reflexões dessa terceira Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos. Foi um novo e viguroso impulso para suscitar tempos novos de evangelização.   

A exortação apostólica Evangelii nuntiandi, publicada a 8 de dezembro de 1975, evoca dois acontecimentos: o décimo aniversário do encerramento do Concílio Vaticano II e o Ano Santo 1975, acontecimentos que apelam e convidam a Igreja a ser capaz de anunciar o Evangelho aos homens do nosso tempo. A exortação convida todo o Povo de Deus a reflectir sobre a evangelização, fazendo presente que o anúncio do Evangelho é vocação própria da Igreja e sua identidade mais profunda à luz de Cristo, Evangelho de Deus e primeiro evangelizador. A evangelização é uma realidade rica, complexa e dinâmica, como bem haviam aprofundado as Constituições do Concílio Vaticano II, Lumen Gentium (sobre o mistério da Igreja) e Gaudium et Spes (sobre a Igreja e mundo contemporâneo). Todos estes documentos apresentam-nos o conteúdo essencial da evangelização: Deus, revelado no seu amor de Pai, por Jesus Cristo, no Espírito Santo, a oferecer a salvação a todo o homem como dom de graça e misericórdia de Deus, em Jesus Cristo, Filho de Deus feito homem, morto e ressuscitado, sendo a sua Pessoa a «base, centro e cume» do dinamismo da evangelização e a garantia das promessas contidas na Nova Aliança. 

Sobre a situação espiritual do homem do Ocidente europeu, a Evangelii nuntiandi nos nn. 18-19 do II capítulo afirma: «Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade: “Eis que faço de novo todas as coisas”. No entanto não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida segundo o Evangelho. A finalidade da evangelização, portanto, é precisamente esta mudança interior; e se fosse necessário traduzir isso em breves termos, o mais exato seria dizer que a Igreja evangeliza quando, unicamente firmada na potência divina da mensagem que proclama, ela procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, a atividade em que eles se aplicam, e a vida e o meio concreto que lhes são próprios. Estratos da humanidade que se transformam: para a Igreja não se trata tanto de pregar o Evangelho a espaços geográficos cada vez mais vastos ou populações maiores em dimensões de massa, mas de chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação» (EN 18-19).