D. Nuno agradeceu tudo o que o Pe. Pereira realizou como homem, cristão e sacerdote 

Foto: Duarte Gomes

D. Nuno Brás presidiu na tarde de sábado, dia 10 de outubro, a uma Eucaristia de ação de graças na igreja do Caniçal. Um momento para, precisamente, dar “graças a Deus por aquilo que foi o ministério do senhor padre José Pereira durante estes 53 anos, na paróquia do Caniçal”.

Uma paróquia, lembrou, que ele “ajudou a crescer”. Damos “graças a Deus por aquilo que ele aqui realizou como homem, como cristão, como sacerdote”, acrescentou o bispo diocesano para logo pedir à assembleia para se alegrar com o facto de Deus nunca abandonar o seu povo e  de “sempre dar sacerdotes que estejam à sua frente e sejam no meio dele presença de Jesus Cristo”.

Na homilia desta celebração, em que muitos paroquianos não conseguiram esconder a sua emoção, o prelado refletiu sobre as leituras, nomeadamente sobre o Evangelho, lembrando que Deus nos convida a partilhar da sua mesa, do seu banquete. O mesmo é dizer “a partilhar da Sua salvação”.

E convida a todos e não apenas a alguns. Porém, só alguns aceitam esse convite. Outros, tal qual os convidados da boda de que nos falava o Evangelho, foram chamados pelos servos do Rei e não quiseram ir, preferindo ignorar o convite por acharem que tudo é mais importante do que viver com Deus, e partilhar daquilo que Ele tem de mais importante para nos dar: a sua vida. “Quantas vezes devíamos de rezar, por exemplo, e dizemos ao Senhor que hoje é mais importante ir tratar de um negócio” questionou, a título de exemplo, D. Nuno Brás.

Depois há os que nem se apercebem que são convidados para este banquete, quer dizer “para participar da vida com Deus”. É por isso que “nós cristãos não somos apenas discípulos, mas como diz o Papa Francisco, somos discípulos missionários”. Ou seja, “somos aqueles que convidam para o banquete, que mostram aos outros como é bom, como é importante participar na vida de Deus”.

E essa é também, frisou, “a grande missão de um sacerdote numa paróquia”, embora às vezes a tendência seja para medir essa missão pelas obras feitas, os templos construídos ou até pela simpatia do padre. É certo que “isso é meio caminho andado”, reconheceu D. Nuno Brás, mas “a obra de um sacerdote mede-se, antes de mais nada, por isto mesmo: por ele ser aquele que convida os irmãos para o banquete de Deus, e convida a todos”.

Neste contexto, frisou, “o Caniçal teve a graça de ao longo destes anos ter à sua frente, à frente da paróquia, este homem que não só construiu esta igreja, este templo de pedras, além de outras iniciativas, como ao longo destes anos convidou para o banquete”.

“E que bom que é olharmos para uma pessoa e percebermos que, estando com essa pessoa estamos mais próximo de Deus”, constatou D. Nuno que terminou convidando a assembleia a “dar graças porque o Senhor convida-nos para o seu banquete” e também “pelos pastores que Ele nos dá, como o Pe. Pereira, que nos dão o próprio alimento que é Jesus Cristo”.

“Agradeçamos ao Senhor estes 53 anos do Pe. Pereira aqui no Caniçal, mas agradeçamos ainda mais ao Senhor por Ele nos convidar a nós, e a todos, para participarmos da Sua vida e para vivermos não como gente que vive isoladamente, mas como gente que participa da sua festa, do seu banquete, da sua salvação”, concluiu.

Nesta Eucaristia, concelebrada pelo vigário geral, cónego Fiel de Sousa, pelo cónego Manuel Ramos, pelo Pe. Carlos Almada e pelo homenageado houve ainda lugar ao recordar do seu percurso ao longo de todos estes anos. Em duas intervenções distintas falou-se do homem e do sacerdote que cedo percebeu as muitas carências do povo e que as procurou colmatar, colocando-se sempre ao lado dos seus paroquianos.

Inovador, entusiasta das novas tecnologias, nunca perdeu de vista o seu rebanho, que incentivou a viver “nos caminhos do respeito, da caridade e da misericórdia”. Foi sempre um homem simples e próximo das suas ovelhas, em especial daquelas que dele mais precisavam.

Batizou, casou e levou muitos à sua última morada e ajudou a comunidade que lhe estava confiada a “crescer na fé” e a não perder de vista a esperança, “sem folgas”, com muita dedicação e sobretudo persistência, de que a igreja nova e a casa paroquial são prova.

Crianças, jovens e seniores, todos mereceram a sua atenção nesta caminhada de 53 anos, que o mesmo costuma dizer só foi tão longa porque se portou sempre de forma correta e, por essa razão, os superiores se esqueceram dele e o deixaram ficar ali.

O homenageado, pela voz de uma paroquiana, recordou também o seu percurso nem sempre fácil e agradeceu as várias ajudas que foi tendo ao longo do caminho, nomeadamente do Governo, das entidades locais e dos paroquianos, que foram olhando por si e pela Igreja que representava.

Terminada a Eucaristia seguiu-se, nos jardins da igreja, o descerrar de um busto do sacerdote da autoria de Emanuel Santos, ele que é também presidente da junta e foi, juntamente com a Comissão Pastoral e o povo, um dos dinamizadores desta homenagem.

Neste ato participaram as entidades que também marcaram presença na celebração, nomeadamente Susana Prada, em representação do presidente do Governo, os presidentes da Câmara e da Junta e representantes das demais entidades civis e militares locais.