No novo normal

D.R.

Este tempo anormal que estamos a viver tem subvertido muitas realidades que pareciam inabaláveis há uns meses atrás. Fez ir à falência várias empresas e deu ânimo a outras que pareciam destinadas ao fracasso; fechou fronteiras dos países e abriu confins informáticos; quase acabou com o turismo, divertimentos e desporto. Mudou horários, hábitos de vida, modos de olhar o presente e o futuro. Fez-nos perceber o quanto dependemos uns dos outros e como não nos bastam saudações à distância.

Chamam-lhe, a este modo de vida que agora temos, o “novo normal”, e dizem que teremos que nos habituar a ele. Claro que todos olhamos para o horizonte, esperamos e desejamos que tudo volte a ser como dantes. Mas, no nosso íntimo, sabemos bem que nada voltará a ser como há seis meses atrás. Tal como outrora a peste negra ou (mais recentemente) a gripe espanhola, este tempo deixará, para sempre, marcas no nosso viver.

Creio, no entanto, que uma realidade permanece e há de permanecer: a família. Precisamente: a família que muitos olhavam com desprezo, como realidade ultrapassada.

E, no entanto, quando quase tudo foi obrigado a parar, a família foi o refúgio que nos ajudou a suportar o confinamento: cuidou de nós, permitiu-nos sobreviver. E, neste “novo normal”, a família é o lugar onde podemos estar sem receio, o ponto de referência para não nos perdermos. Decididamente, este novo tempo convida a olhar seriamente para a família. Há que cuidar dela e, sobretudo, da nossa família. Ela ajuda-nos, hoje como no passado, a sermos humanos.