Ribeira Seca: D. Nuno presidiu à festa da Senhora do Amparo lembrando importância de vivermos com a marca de Deus

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu no domingo, dia 13 de setembro à Eucaristia da Festa de Nossa Senhora do Amparo, na Paróquia da Ribeira Seca, em Machico.

Na homilia desta celebração, D. Nuno Brás explicou que este amparo é “uma das funções de Nossa Senhora”, entre muitas que Ela tem. Na primeira leitura, por exemplo, “escutávamos que Ela era a Arca da Aliança, quer dizer, o lugar onde Deus e os homens se encontram. Nela, no seu seio, Deus e o homem encontraram-se e nunca mais se separaram”.

Isso significa, prosseguiu, “que tudo aquilo que nós fazemos, tudo aquilo que nós somos, não tem apenas a nossa marca, mas também a marca de Deus”. Uma marca que, frisou, faz toda a diferença na nossa vida de cristãos.

“Se eu tenho a marca de Deus a minha vida é diferente, o meu trabalho é diferente e deixa de ser simplesmente a maneira de eu sobreviver para passar a ser também a forma de eu contribuir, de eu colaborar na construção do mundo e na construção do mundo como Deus o Sonhou e não simplesmente como eu o pensei”, constatou D. Nuno Brás.

Essa marca de Deus, explicou ainda o prelado, muda também a vida dos que me rodeiam, da minha família, dos meus amigos, que têm também a obrigação de “anunciar que é possível viver de uma forma diferente e anunciar aquilo que é a família de Deus”.

E este é “o convite que Nossa Senhora nos faz”, Ela que tem também a missão de estar no meio dos discípulos, como se dizia na segunda leitura. E que bonito que é vermos que, no mundo inteiro, onde há cristãos “de uma forma ou de outra, com um santuário maior ou mais pequeno, aí está Nossa Senhora”.

Os discípulos, homens simples, fizeram o que fizeram porque “tinham a marca de Deus e fizeram-no com Nossa Senhora no meio deles”. Isso deve dar-nos coragem e fé, tanto mais que nós “temos uma vida muito melhor do que a dos apóstolos e continuamos a ter a marca de Deus e Deus continua a estar connosco e a Senhora do Amparo continua a dizer-nos que Deus está connosco”.

O bispo do Funchal terminou a sua reflexão pedindo aos fiéis que recebam Nossa Senhora “naquilo que nós somos, no mais íntimo de nós, em toda a nossa vida, na nossa vida de trabalho, de convivência de uns com os outros, na nossa vida de família, naqueles momentos em que mais ninguém nos vê a não ser Deus”.

“Hoje abrimos as portas da nossa casa, das nossas vidas a Nossa Senhora, Ela que nos diz que é possível um mundo melhor, que é possível a fé, que é possível termos um outro horizonte de vida, que é possível a vida eterna e que é possível transformar tudo aquilo que somos e que vivemos” e que para isso só temos “de querer e de deixar a marca de Deus em tudo o que fazemos”.

Inicialmente esta celebração estava prevista decorrer no exterior da igreja. Porém a chuva impediu que assim acontecesse, mas não impediu que o Pe. Martins Júnior, administrador paroquial da Ribeira Seca, tivesse agradecido a todos quantos trabalharam na ornamentação do adro e tivesse “trazido ao altar tanto e tantos que aqui viveram e que agora não estão cá”.

O sacerdote agradeceu ainda a presença do bispo diocesano, que celebrou com a mitra e a casula de Bordado Madeira que lhe ofereceram, trabalho das bordadeiras da Ribeira Seca.

Depois de lembrar que “em 50 anos nenhum bispo se dignou vir à Ribeira Seca”, fez questão de referir que D. Nuno já ali esteve duas vezes, facto que mereceu o aplauso da comunidade, e que confere a D. Nuno “não só a marca de Deus, mas a marca da Ribeira Seca”.

Terminou sublinhando e agradecendo também a presença na celebração do Cónego Ramos, pároco de Machico que, apesar do convite tardio, aceitou concelebrar esta Eucaristia o que, em seu entender, “significa o bom relacionamento que deve haver entre os cristãos, mas também a partir do clero, da hierarquia, dos sacerdotes. Para sempre registamos este sinal profético”.