Bispo presidiu à Eucaristia dos 70 anos do Centro de reabilitação Psicopedagógica da Sagrada Família

Foto: Duarte Gomes

Foi com a celebração de uma Eucaristia de Ação de Graças, na Igreja Paroquial dos Álamos, presidida por D. Nuno Brás que se assinalaram esta sexta-feira, dia 11 de setembro, os 70 anos do Centro de Reabilitação Psicopedagógica da Sagrada Família (CRPSF), comemorados no passado dia 21 de agosto.

No início da celebração, o prelado reconheceu que a comunidade das Irmãs Hospitaleira do Sagrado Coração de Jesus “enriquece a nossa ilha” e é “sinal, presença de Deus junto daqueles mais frágeis”. Por isso, “queremos dar graças a Deus por estes 70 anos e queremos pedir ao Senhor força e fé que ajudem a que esta instituição continue sempre assim, a desempenhar o seu trabalho com a competência que lhe reconhecemos, com a eficácia que percebemos, mas sobretudo com  fé que faz o reino de Deus e que nos faz mover montanhas”.

Na homilia, o bispo Diocesano refletiu sobre o amor. O amor de Deus por nós, que se manifesta “de forma concreta e absoluta em Jesus Cristo” e sobretudo “quando vemos o próprio Deus, que assume não apenas a nossa condição humana, mas assume a nossa condição mortal. O mesmo é dizer quando Deus vive a morte, a morte humana. Quando Deus experimenta o que é morrer e morrer na solidão, abandonado por todos, quando experimenta o mais baixo da natureza humana: a morte e a morte de cruz”.

Essa é, disse D. Nuno Brás, “a medida do amor: Deus que assume, que faz sua a condição, a vida concreta do homem mortal”. Por isso, prosseguiu, “por muito que nos custe quando fazemos uma obra de amor pelo próximo, quando oferecemos uns minutos da nossa vida e no fim achamos que já fizemos muito e somos muito altruístas, diante desta medida do amor temos de reconhecer tão pouco que nós fizemos”.

A cruz de Jesus Cristo é, de facto, “a medida de todo o amor humano”, é a medida daquele que se esquece de si próprio para viver plenamente a vida do outro, na saúde e na doença, na alegria e no sofrimento sempre”. Esta é a medida que nós cristãos temos de ter presente. Uma medida que nos “obriga a estar insatisfeitos, que nos obriga a dizer que poderíamos sempre fazer mais”, mas que também nos diz que o que fizemos foi a nossa obrigação.

Referindo-se em concreto aos 70 anos de hospitalidade na nossa Ilha, o prelado disse que “estamos todos muito gratos por aquilo que foram 70 anos em que verdadeiramente o amor, o amor até ao fim, dos últimos, o amor que faz sua a vida e a condição dos mais pequenos teve alguém que o protagoniza-se”.

“Que bom que é este testemunho, esta presença. Que bom que é podermos tocar perceber, ver, escutar este amor assim, vivido nesta sua inteireza”, disse ainda o prelado, para logo acrescentar que não nos devemos encher de vaidade e sobretudo não devemos dizer que já chega, porque “falta-nos sempre o tudo, falta-nos sempre o mais, falta-nos sempre o que nos falta para chegarmos à medida do amor, para chegarmos a este amor de Deus por todos e cada um de nós, de um Deus que faz sua a nossa vida, a nossa existência, a nossa cruz, o nosso sofrimento concreto, aquele sofrimento que hoje cada um de nós experimenta, vive”.

É por isso, constatou, que continuamos a precisar das irmãs e “desta vossa presença concreta, deste testemunho concreto, diário, vivido no trabalho, vivido sem dar nas vistas”. Continuamos a precisar “de quem no meio de nós, da nossa ilha possa dizer que aquele irmão concreto, que toda a gente rejeita, a quem ninguém quer, que esse verdadeiramente é tão digno de viver, é tão digno de ser amado como todo o outro”.

Terminou pedindo ao Senhor que “vos ajude a continuar sempre este trabalho e a dar sempre este testemunho, que Ele vos ajude a ser na nossa ilha, nas nossas comunidades, este testemunho concreto e vivido do amor de Deus, este testemunho de que há alguém que precisa de mais amor, de mais cuidado e que nunca, mas nunca mesmo, podemos cruzar os braços e dizer que já chega” ou desistir de “medir o nosso amor, aquilo que somos, por este amor grande, único e absoluto que é o amor de Jesus Cristo por cada um de nós e por todos”.

No final da Eucaristia, concelebrada pelos bispos eméritos e outros sacerdotes, houve ainda lugar à visita a uma exposição que retrata a memória e história dos 70 anos do CRPSF ao serviço da Hospitalidade, sob o lema “Hospitalidade hoje como ontem e sempre”.

Antes disso, a irmã Albina Silva, Superiora e Diretora Gerente do CRPSF, agradeceu aos bispos pela sua presença e colaboração, bem como a colaboração do Governo Regional na pessoa do Secretário Regional da Saúde. A religiosa agradeceu ainda a todos quantos no dia a dia são fundamentais “para levarmos a bom termo a missão que nos é confiada através da qual tornamos presente no mundo o amor samaritano e misericordioso de Jesus”.

O Centro de Reabilitação Psicopedagógica da Sagrada Família (CRPSF), localizado em S. Roque – Funchal, é um dos doze estabelecimentos de saúde dirigido pelo Instituto das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. Criado em 1950, o CRPSF acolhe crianças e jovens e está orientado para a prestação de cuidados diferenciados e humanizados em saúde mental da infância e adolescência, pedopsiquiatria, multideficiência e reabilitação, de acordo com as melhores práticas, qualidade e eficiência, respeito pela individualidade e sensibilidade da pessoa assistida, numa visão humanista e integral da pessoa.