O último Livro que li: “A lebre de olhos de Âmbar” de Edmund de Waal

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Um livro de memórias, de viagens, de recordações, de ascensão gloriosa e de inevitável declínio, ao longo dos atribulados séculos XIX e XX. Num abrangente horizonte de Odessa a Paris, com destino a Viena e o eterno retorno ao Japão, o autor revela-nos o percurso entrelaçado da família Ephrussi, poderosamente rica, os maiores exportadores de cereais do mundo. 

A sumptuosidade da sua arquitetura dos edifícios em que habitavam, da escultura e da pintura, a sua paixão pela arte, pelo colecionismo, trabalho e dinheiro foram os grandes aliados destes poderosos que o sistema político rejeitou e perseguiu até à morte.

O Anschluss e a Segunda Guerra Mundial arrastaram os Ephrussi para o reino do esquecimento, paulatinamente, todos foram sendo dizimados e as suas fortunas extintas. 

Da odisseia da vida desta família e do seu vasto império fazia parte uma coleção de 264 netsuke, pequenas mas valiosas esculturas japonesas, de madeira e marfim, nenhuma maior do que uma caixa de fósforos, que foram sendo retiradas do gigantesco palácio vienense (na altura ocupado pelos teóricos hitlerianos da questão judaica), um a um, no bolso de uma fiel criada, e escondidos depois no seu colchão de palha.

Edmund de Waal, um prestigiado oleiro inglês, herdou as pequenas esculturas japonesas e decidiu escrever a história da família que as colecionou e de como elas atravessaram os séculos. Num minucioso e atraente trabalho de viagens, reflexões, contemplações, divagações e algum humor, este livro conduz-nos aos tempos e locais duma vivência única na história da humanidade.