D. Nuno desafiou novos enfermeiros a transformar a doença em momentos de encontro com Deus

Foto: Duarte Gomes

Decorreu na tarde de sexta-feira, dia 31 de julho, a cerimónia de entrega de diplomas a 34 novos enfermeiros formados na escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny.

Presente nesta cerimónia D. Nuno Brás começou por lembrar que a Escola São José de Cluny foi “uma resposta a uma necessidade local, mas que foi crescendo e alargando os seus horizontes em dois campos: em termos de expansão e da excelência a que nos habituou”, quer científica quer humana levando o nome da enfermagem da Madeira a vários locais do mundo.

Assim sendo, o prelado disse aos recém-formados ter a certeza de que eles “vão honrar o nome da escola e da Madeira, servindo a Deus e servindo os irmãos mais necessitados”, lembrando-lhes que “o doente que sofre, quem quer que ele seja, é sempre naquela altura, um irmão mais necessitado”.

“Deus vos abençoe e vos acompanhe e que vocês tenham sempre um coração grande e aberto para perceber o que devem fazer e como o podem fazer, na defesa da vida e do serviço ao próximo”, desejou o bispo diocesano que antes desta cerimónia presidiu a uma missa de ação de graças “por aquilo que foi o vosso curso, por aquilo que aprenderam, por aquilo que cresceram e também pelas vossas famílias, que vos aturaram muitas birras”.

Três pontos de reflexão

Na homilia, D. Nuno Brás refletiu sobre as leituras e deixou à assembleia três pontos de reflexão. O primeiro foi sobre a nossa atitude diante de Deus e a nossa tendência para acharmos que Deus está errado e que nós sabemos tudo o que fazer. Sobre a nossa tendência para “nos colocarmos em bicos de pé perante Deus, não O escutarmos e não nos deixarmos convencer e converter por Ele”.

De resto frisou, a questão já não é saber se Deus existe, porque é óbvio que existe, mas “o que é que Ele tem a ver connosco”. E aí podemos “ter os ouvidos do profeta” ou “aquela atitude de quem acolhe e se deixa converter pela palavra do Senhor”.

Em dia da festa litúrgica de Santo Inácio de Loyola, D. Nuno Brás lembrou as reflexões do fundador da Companhia de Jesus e em especial a que se refere à nossa existência e que diz que “existimos para maior glória de Deus”. Este foi o segundo ponto de reflexão, com o prelado a sublinhar que “se procurarmos viver assim, a vida tem um outro sentido e um outro significado”.

Daí o desafio aos novos enfermeiros, e aqui passamos para o terceiro ponto, para ajudarem com a sua presença, o seu saber e a sua boa disposição, a transformar a doença em momentos importantes da vida de alguém, em momentos “de encontro consigo e com Deus”.

Mundo Novo

Já o secretário da Saúde, Pedro Ramos, que presidiu à cerimónia de entrega de diplomas, reforçou a importância destes profissionais para a saúde dos madeirenses, principalmente num período de pandemia.

“É a primeira vez que estamos a encarar uma pandemia ainda sem solução. Precisamos da compreensão de todos. Temos de aprender que isto é mais uma situação de exceção. Conseguimos passar sempre bem. Não queremos passar por situações iguais às da segunda vaga que já está a acontecer no mundo. Temos de defender a nossa saúde defendendo a saúde dos profissionais de saúde. A partir de amanhã [hoje] partimos para um mundo novo, vamos andar de máscara, mas vamos andar felizes.”

Recorde-se que devido ao confinamento obrigatório, a formação destes novos profissionais só foi possível porque a Escola São José de Cluny conseguiu implementar um sistema de ensino à distância, capaz de dar resposta às atividades teóricas planeadas.