Antiracismos e cristofobias. Contra mortos e vivos?

Estátua do Padre António Vieira, Lisboa | D.R.

O racismo de todos os tempos, religiões e cores é pouco conhecido. E o tráfico atual de seres humanos ainda menos. Quantos escravos raptados vendidos, traficados, hoje?

Importa ser contra o racismo de todos os tempos, de todos os quadrantes. Mas só vale  quando se reconhece e respeita a igual dignidade de todo o ser humano. Só relações humanizadas e cristãs podem substituir o ódio e violência em espiral de natureza selvagem dos mais fortes. A igual dignidade de todos os seres humanos até à morte natural, não exclui os nascituros, os doentes e idosos; fundamenta-se no facto de Deus criar os seres humanos à sua imagem e semelhança. Só este fundamento leva a contrariar a teoria darwinista de que se pode deixar a natureza matar os mais fracos. E que isso até seria bom.

Em todas as histórias do racismo, religiosas, cristãs e ateias, se deram passos antirracistas, mas não se aboliram todos os racismos por erros de atribuir desigual dignidade aos seres humanos segundo a cor. Quando acabará o tráfico de seres humanos? As narrativas sobre o racismo continuam omissas e ocultam desvios gritantes de violência e ódio antirracista que são também racismo. Então, só interessam vidas negras? E mata-se uma mulher por ela afirmar que todas as vidas humanas contam? Então, Jesus Cristo e Nossa Senhora, são racistas e decapitam-se as suas estátuas e desfiguram-se as suas imagens? E os santos missionários são mais racistas que quem derruba as suas estátuas?

Infelizmente muita imprensa, televisão, rádio, deitam fogo de artifício espetacular, mas não noticiam muito do que fica a arder e os porquês. A morte brutal racista de George Floyd incendiou, com razão, os media, mas logo ficou silêncio sobre violências doentias em que se misturam outras cores de racismo de desforra, desordem e violência. Matam-se mortos nas suas estátuas, cristãos vivos, crianças negras e branca no ventre de suas mães. As suas vidas já não contam.

O pastor Walter Hoy calculou que desde 1973 14.500.000 bebês afro-americanos foram assassinados pela prática do aborto por racistas de várias cores. A cristofobia gritada diante de Pilatos: solta Barrabás e crucifica Cristo, continua em todos os tempos a vender e matar “mortos” e vivos.

A Revolução Francesa vendeu catedrais para pedreiras, Cluny e Macron, por exemplo. Mas isso não interessa. Dezenas de igrejas vão sendo incendiadas hoje no mundo chamado cristão. Gente antiracista? O Vatican  News Service  (23.07.2020), refere a tomada de posição dos bispos americanos: “rezamos por todos os que causaram a destruição e permanecemos vigilantes contra isso”. “São um sinal de que a sociedade precisa ser curada”. Já a loucura marxista-leninista destruiu grande parte das igreja monumentais de Moscovo; e hoje o mesmo anticristianismo manda substituir o crucifixo e as imagens de Nossa Senhora pelas fotos de Mao e Xi Ping, em casas e igrejas na China se querem ter ajudas. A quem serve a desordem e destruição? A quem serve uma cidade insegura, em desordem, sem polícia, sem leis, e sem respeito pelos mandamentos da lei de Deus completados por Jesus Cristo; e sem reconhecimento da igual dignidade de todos os seres humanos?

Já no tempo de S. Tiago em Jerusalém; já por todo o império romano, já os perseguidores no século XX-XXI mataram muitos cristãos vivos por seguirem a Cristo e O aceitarem como o tesouro e pérola da sua vida, por quem dão tudo o mais, mesmo a vida. E contudo Jesus continua a clamar: nada de espirais de violências; não arranquem o joio, deixem até à ceifa; e a repetir: não, o peixe que não presta só se deita fora a seu tempo. Nada de vinganças e precipitações violentas de olho por olho, dente por dente, vida por vida.