D. Nuno celebrou pela primeira vez na Fajã do Penedo desafiando comunidade a ser terra fértil

Foto: Duarte Gomes

A Comunidade Paroquial da Fajã do Penedo, no Arciprestado de São Vicente/Porto Moniz, recebeu este domingo, dia 12 de julho, a visita de D. Nuno Brás, que presidiu à Eucaristia das 11.30 horas.

Esta foi a primeira vez que o bispo diocesano ali esteve, facto que foi lembrado por um elemento daquela comunidade, que sublinhou que a presença do prelado era “há muito desejada”.

A criança a quem coube dar as boas-vindas a D. Nuno disse ainda que a comunidade estava “muito feliz com a vossa presença”. A presença do pastor que “acompanhamos com as nossas orações a Nossa Senhora, venerada nesta paróquia com o título de Imaculado Coração de Maria, para que o proteja hoje e sempre”.

Na oferta de uma “singela flor”, a comunidade traduziu o “carinho e consideração” que tem pelo bispo diocesano que, por sua vez agradeceu a receção e o gesto desta comunidade, a quem deixou uma “saudação particular” e a quem parabenizou pela beleza da igreja paroquial.

“Queremos viver sempre com os olhos postos no Imaculado Coração de Maria, porque sabemos que Nossa Senhora é luzeiro, ou seja, indica o caminho para Jesus Cristo”, disse ainda D. Nuno às pessoas, que cumprindo as normas em vigor, se dispuseram a aceitar o convite para “celebrar este domingo pedindo ao Senhor que nos ajude a escutar a sua palavra, a acolhê-la e a deixar que ela produza frutos na nossa vida”.

Na homilia, D. Nuno Brás começou por revelar que “faz hoje 33 anos que eu celebrei a minha Missa Nova, e as leituras eram estas. Isto para dizer também que celebramos pedindo a Nosso Senhor que continue a dar sacerdotes à sua Igreja. Que continue a chamar e que haja muitos rapazes que sejam capazes de escutar o seu chamamento e que tenham coragem de responder, porque é preciso coragem para responder”.

Depois o prelado refletiu precisamente sobre as leituras, em particular sobre a parábola do semeador que lança a semente da Palavra de Deus em quatro diferentes solos. 

“As leituras de hoje falam-nos disto: de escutar, de estarmos disponíveis para o Senhor, de lhe respondermos e darmos fruto”, frisou D. Nuno Brás para logo lembrar que “a primeira atitude de um cristão é escutar”. 

Se queremos seguir Jesus e ser cada vez mais discípulos do Senhor, essa deve ser a nossa forma de estar na vida: em constante atitude de escuta, como o aluno que “quer aprender a tocar trombone e que tem de escutar o mestre que o ensina”.

Mas escutar a palavra de Deus, sublinhou, não significa apenas ouvir. “Escutar é dar atenção, é quando aquilo que alguém nos diz faz vida, faz sentido na nossa vida”.

É isso que representa a semente de que nos fala a parábola. “A semente é a palavra e nós somos o campo, a terra. Sem a semente a terra não é nada, mas se a terra é boa, se a terra está disponível para acolher a semente, então a terra produz e produz tanto”. 

Quanto ao que Deus tem para nos dizer e para nos dar, “não é só um conjunto de ideias, de doutrinas e de mandamentos”, mas é “uma pessoa, e essa pessoa chama-se Jesus Cristo. Ele é a semente”. Aquele que o Pai semeia em nós quando comungamos e que espera que dê fruto. E que fruto é esse, questionou. “É o de nos irmos transformando em Jesus” e de viver de tal forma com Deus que nos deixamos “transformar em pessoas que em vez da guerra fazem a paz, pessoas que em vez de semear contendas ajudam os outros”.

São Paulo, na segunda leitura, “dizia que isto ainda está tudo no começo, tudo na maternidade”, o que significa que “os seres humanos ainda estão à espera que Jesus Cristo se forme em nós. À espera que tudo seja mais semelhante a Jesus e tenha cada vez mais a sua presença”. 

“E nós irmãos somos a semente que Deus coloca neste campo que é a nossa ilha, a nossa terra, para que dê fruto”. E se esse fruto não é tão abundante como se desejaria “não é culpa de Deus, mas nossa que não escutamos, que não acolhemos, que fazemos como as crianças fazem com as mães quando estas as repreendem: entra por um ouvido e sai pelo outro”.

Em contrapartida, lembrou, quando olhamos para Nossa Senhora percebemos o que é ser terra boa, percebemos o que é que acontece quando o ser humano acolhe a Deus e se deixa transformar por Ele. Olhamos para Nossa Senhora e percebemos que é assim que eu quero ser”.

D. Nuno terminou a sua reflexão exortando a comunidade a “dizer ao Senhor que queremos ser esta terra boa, que Ele pode contar connosco e que pode semear nos nossos corações a Sua palavra que é Jesus Cristo e que queremos escutá-Lo e deixar que Ele cultive a nossa vida e a transforme para produzir frutos, para sermos a sua presença, para nos deixarmos transformar a nós e ao mundo, à sociedade tornando-a mais semelhante a Deus, mais divina. A termos o coração disponível para acolher a sua palavra e a produzirmos frutos de paz, amor, justiça frutos de Deus como Nossa Senhora”.

No final da celebração coube ao Pe. Élio Gomes, pároco da Fajã do Penedo, agradecer a presença de D. Nuno Brás na paróquia que, garantiu, só não o recebeu de outra forma por causa da pandemia que “não nos deixa organizar coisas mais amplas”. 

Aliás, a visita pastoral que estava agendada para aquela paróquia acabou por ser adiada, constituindo esta visita de hoje uma forma de D. Nuno mostrar que está com aquela comunidade onde, reforçou o Pe. Élio, “é sempre bem-vindo”.

Finalmente, D. Nuno Brás agradeceu a forma como foi recebido e disse que já está na altura da Fajã do Penedo dar outro sacerdote à diocese – o último foi o Pe. Óscar Andrade. 

“Façam o favor de rezar para que Nosso Senhor toque o coração e haja um rapaz que responda, que tenha essa coragem de responder àquilo que o Senhor pede”, pediu D. Nuno para logo acrescentar que também fazem falta as vocações femininas. “A Madeira era terra de vocações femininas e agora, de repente, desapareceram. Não acredito que Nosso Senhor tenha olhado para outro lado, nós é que não queremos cruzar o nosso olhar com o Dele”, frisou.

Uma nota final para o tapete de flores que a comunidade paroquial fez à entrada da igreja para receber D. Nuno Brás e ainda para a forma ordeira e responsável como decorreu o momento da Comunhão.