Congo: Fundação AIS apoia quase 500 irmãs que se dedicam às vítimas do Covid-19

Foto: AIS

O coronavírus está a afectar muito a vida das populações no continente africano. A necessidade de confinamento das pessoas como medida preventiva para o contágio veio agravar situações já de si muito críticas de pobreza especialmente nas regiões afectadas por violência de grupos armados, conflitos étnicos e perseguição religiosa.

A República Democrática do Congo é um desses países. Bukavu é uma dessas regiões. Atormentada por conflitos étnicos, insegurança, incursões armadas de países vizinhos, sequestros e violações, a província eclesiástica de Bukavu é um espelho de um país onde a vida é um verdadeiro pesadelo. A pandemia do coronavírus veio agravar ainda mais este cenário.

As religiosas que vivem e trabalham nesta diocese são o rosto da solidariedade da Igreja junto dos que mais sofrem, dos que passam mais necessidades. Pobres entre pobres, sempre disponíveis para os outros, as irmãs subsistem normalmente do que a própria comunidade oferece. O confinamento veio agravar ainda mais a já difícil situação de muitas comunidades neste país, fazendo aumentar o desemprego e trazendo consigo mais pobreza e fome.

“Em condições normais”, diz-nos o Bispo de Mbuji-Mayi, localizado no centro da RD Congo, “são os fiéis que dão o apoio material e comida”. “Agora”, acrescenta D. Bernard-Emmanuel Kasanda, “com os paroquianos confinados, a vida tornou-se mais difícil para todos, porque a maioria das pessoas vive apenas com o trabalho do dia-a-dia.” De facto, a taxa de desemprego é muito alta, cerca de 96% da população. Face a esta situação, a Fundação AIS avançou com uma ajuda de emergência para a Igreja local.

No total, esta ajuda, no valor global de 120 mil euros, destina-se à sobrevivência de 464 irmãs que integram 69 comunidades religiosas femininas oriundas de seis congregações. A comunidade eclesiástica de Bukavu compreende seis dioceses. A ajuda de emergência da Fundação AIS é essencial para que estas religiosas possam continuar a apoiar as populações mais carenciadas.

Christine du Caudray, responsável a nível internacional pelos projectos da Fundação AIS na República Democrática do Congo, sublinha que, muitas vezes, as irmãs são mesmo a única presença visível junto dos que mais sofrem, dos que são perseguidos e ameaçados. Muitas vezes, diz esta responsável, “quando os conflitos levam as ONG’s a abandonar” os locais onde desenvolviam o seu trabalho, por ser muito perigoso, a Igreja fica presente”. E as irmãs lá estão nessa linha da frente da solidariedade, “junto das populações mais pobres, com o espírito da Madre Teresa”.