Santos Mártires da China – seu dia é celebrado a 7 de julho

No dia 1 de Outubro do ano 2000, bispos, sacerdotes, missionários, religiosos e leigos nativos, num total de 200, foram canonizados pelo Papa João Paulo II.

D.R.

Crê-se que a Igreja católica esteve presente na China a partir do ano 1294, quando os primeiros missionários enviados pela Santa Sé chegaram à capital do país, pelo caminho da seda.

Porém, foram encontrados sinais da presença do cristianismo muito anteriores, remontando a um período entre os séculos IV e VIII, numa ampla região da Ásia central, que corresponderia hoje ao Iraque, Irão e Paquistão, estendendo-se  à Índia, Sri Lanka, Tibete e Afeganistão, num período que vai do Séc. IV ao Séc. VIII, no fim do qual  teria começado a evangelização da China. 

Entre expansões e perseguições, a Igreja foi crescendo, mas, a partir de 841, começou a perseguição a várias religiões e só o confucionismo e o taoísmo sobreviveram.

Com a chegada dos primeiros missionários enviados por Roma em 1294, o catolicismo na China refloresceu durante quase um século para depois ser perseguido novamente com o advento da dinastia Ming. Recomeçou em 1600, quando, de novo, os missionários jesuítas chegaram e foram aceites na corte do imperador. Nos séculos seguintes houve um período de crescimento, mas passado pouco tempo retomou a perseguição e o martírio, o qual continuou até aos nossos dias.

A perseguição à Igreja de Cristo na China sempre foi muito constante e gerou milhares e milhares de mártires. Muitos foram beatificados e canonizados pela Igreja, facto que não agradou ao governo comunista de Pequim. Hoje, como sabemos, ainda permanece difícil a relação entre a Santa Sé e o Governo Central da República Popular da China.

Com a contingência e o isolamento forçado da população chinesa face à pandemia do Covid, milhões de pessoas ficaram fechadas vários dias em suas casas. Curiosamente, parece ter aumentado a liberdade de culto neste período, na medida em que proliferaram as emissões religiosas “online” em quase toda a China, umas realizadas por responsáveis de dioceses católicas, como Pequim e Xangai, outras das dioceses das Regiões Administrativas Especiais de Macau, Hong Kong, Taiwan, Filipinas ou Malásia.

Retidos em casa, milhões de chineses tiveram a oportunidade de assistir a missas, homilias, momentos de leitura bíblica, orações, notícias religiosas, vídeos e às celebrações da Semana Santa presididas no Vaticano pelo Papa Francisco.

Deus escreve direito por linhas tortas, diz o nosso povo e, talvez seja o momento propício para acreditar que os tempos de crise são tempos de santos, pois no caminho onde o mal existe, cruzam-se sementes de bem, que florescem e nos conduzem à Esperança da salvação eterna.