Morre o compositor Ennio Morricone aos 91 anos

Em 2019 tinha recebido a Medalha de Ouro do Pontificado do Papa Francisco

D.R.

Faleceu em Roma aos 91 anos, nesta segunda-feira (06/07), o músico e compositor Ennio Morricone, um dos mais famosos autores de trilhas sonoras da história do cinema. Ele estava internado numa clínica romana por causa de uma queda. Morreu ao amanhecer “com o conforto da fé”, anunciou numa nota o seu amigo e advogado Giorgio Assumma. O mestre “conservou até o fim plena lucidez e grande dignidade. Saudou sua amada esposa Maria que o acompanhou com dedicação em cada momento de sua vida humana e profissional e esteve com ele até o último suspiro”. O funeral se realizará de forma particular “com respeito ao sentimento de humildade que sempre inspirou os atos de sua existência”.

Mais de 500 trilhas sonoras

Nascido em Roma em 10 de novembro de 1928 e formado como trompetista e maestro no Conservatório de Santa Cecilia, Ennio Morricone está indissoluvelmente ligado ao nome de Sergio Leone, com quem alcançou fama internacional pelas trilhas sonoras de seus filmes, desde “Por um punhado de dólares” até “Era uma vez na América”. Em sua carreira ele compôs mais de 500 trilhas sonoras incluindo as de “Novo Cinema Paraíso” e “Missão”, trabalhando também com Pasolini e Gillo Pontecorvo na “Batalha de Argel”. Vencedor do Óscar por sua carreira em 2007 e por “The Hateful Eight” de Quentin Tarantino em 2016, Morricone também fez o arranjo musical de grandes clássicos da música pop italiana dos anos 60 como “Se telefonando” e “Sapore di sale”.

As condolências da Mattarella

“A morte de Ennio Morricone nos priva de um artista ilustre e brilhante”, escreveu o presidente da República Italiana, Sergio Mattarella. “Um músico ao mesmo tempo refinado e popular”, lê-se na declaração do Quirinale, “ele deixou uma marca profunda na história musical da metade do século XX”. Através de suas trilhas sonoras, ele contribuiu muito para difundir e fortalecer o prestígio da Itália no mundo”.

Entre música e fé

Em 2019 ele recebeu a Medalha de Ouro do Pontificado do Papa Francisco “por seu extraordinário compromisso artístico, que também tinha aspectos de natureza religiosa”. O presidente do Pontifício Conselho da Cultura, cardeal Gianfranco Ravasi, foi quem materialmente lhe concedeu o prêmio. “Estou próximo com afeto de sua esposa Maria e de sua família ao lembrar o Mestre Ennio Morricone”, escreveu o purpurado num tweet. “Eu o confio a Deus para que o acolha na harmonia celestial, talvez atribuindo-lhe a tarefa de alguma partitura a ser executada pelos coros angélicos”. No ano passado, ele se despediu das cenas e, surpreendentemente, aceitou dirigir um concerto na Sala Paulo VI, no Vaticano. “Eu não podia dizer não”, disse Ennio Morricone naquela ocasião.

Michele Raviart/Mariangela Jaguraba – Vatican News