O lugar de Deus nunca fica vazio

D.R.

Deus faz parte da história humana. A consciência daquilo que cada um é exige, antes de tudo, a consciência dos seus próprios limites e a consciência do outro. Trata-se de perceber que não somos capazes de tudo; que nem tudo se encontra sob o nosso domínio; e que a liberdade de cada um não é nunca infinita.

E trata-se, igualmente, de perceber que com o outro também eu sou mais. Unido ao outro, em conjunto, as acções, o pensamento, a vida humana são sempre mais — muito mais que a soma daquilo que cada um é capaz, isoladamente.

É por isso que, antes de perceber quem eu sou, tenho que perceber que existem outros: outros seres humanos e um Outro que é Deus. E isso não é um limite, pelo contrário: é uma possibilidade de ser mais.

Alguns pensaram que Deus limitava o ser humano. Tentaram mostrar com o seu modo de viver que eram mais livres, mais autónomos, que conseguiam chegar mais longe. Mas a conclusão de todos eles é precisamente a contrária: sem Deus ficamos mais pobres, mais limitados, menos livres. Ficamos fechados neste mundo, condenados a desaparecer, sem grandes horizontes de vida.

Quando Deus desaparece da vida de alguém o seu lugar nunca fica vazio. Desaparecido e esquecido o verdadeiro Deus, logo ocupam o seu lugar os pequenos deuses, criação de homens sonhadores ou, simplesmente, fruto do mal.

Até por isso, vale bem a pena viver com Deus e contar com Ele em cada momento.