Coreia do Sul: paz difícil, mas não impossível

O aniversário de 70 anos do início da Guerra da Coreia foi lembrado com missas em várias dioceses sul-coreanas, num momento marcado por novas tensões preocupantes entre as duas Coreias.

Arcebispo de Seul, cardeal Andrew Yeom Soo-jung, Coreia do Sul | Foto: ANSA
“Alcançar a verdadeira paz que todos desejamos é algo muito difícil, mas não impossível.”.

Foi o que disse o arcebispo de Seul, cardeal Andrew Yeom Soo-jung, durante a missa presidida por ele, na manhã de quinta-feira (25/06), na Catedral de Myeongdong no aniversário de 70 anos do início da Guerra da Coreia, que a Igreja sul-coreana recorda todos os anos, desde 1965, com um dia especial de oração pela reconciliação.

O aniversário foi lembrado com missas em várias dioceses sul-coreanas, num momento marcado por novas tensões preocupantes entre as duas Coreias, culminando em 16 de junho, quando Pyongyang explodiu a sede do escritório de ligação com a Coreia do Sul aberto na cidade de Kaesong depois da histórica cúpula intercoreana em abril de 2018.

Duzentos e trinta fiéis participaram da missa em Seul, respeitando as medidas de segurança contra o contágio da Covid-19. Segundo a agência Ucanews, o cardeal Yeom Soo-jung exortou, em sua homilia, todas as partes a perdoar: “Quando a política do perdão se difunde, a justiça se torna mais humana e a paz mais duradoura”, disse ele. O arcebispo de Seul rezou para que todos os líderes políticos “possam ir além dos interesses pessoais, partidários e nacionais” e para que se comprometam com a paz, olhando para o bem comum das Coreias do Norte e do Sul.

Numa mensagem recente em vista do aniversário, o responsável pelo Comitê de Reconciliação da Conferência Episcopal Coreana, dom Lee Ki-heon, voltou a pedir um tratado de paz para encerrar definitivamente a guerra, um dos conflitos mais sangrentos da história depois das duas guerras mundiais, e para a desnuclearização completa da península. Um tratado que parecia próximo após a “Declaração de Panmunjom” assinada em abril de 2018 pelo presidente sul-coreano Moon Jae-in e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, mas que no momento parece um objetivo ainda distante. “Passados setenta anos, chegou a hora de superar o ódio ideológico que se opôs às partes e impediu que ambos os países crescessem e se desenvolvessem livremente”, escreve o prelado, pedindo a retomada de conexões como “a ferrovia intercoreana”.

LZ/MJ