Deus é amor

D.R.

A afirmação “Deus é amor” não é uma invenção piegas dos nossos tempos. É a conclusão que o Apóstolo S. João retira dos anos que passou com Jesus, e da sua leitura de toda a história do próprio povo de Israel. 

E é uma enorme revolução. É que não era nada evidente, até àquele momento e naquele tempo, com as cabeças cheias de deuses bons e deuses maus, que gostavam, odiavam e lutavam entre si — não era nada evidente que no início de toda a criação e que o segredo de tudo quanto existe fosse o amor. 

É verdade que já existia o Antigo Testamento e a afirmação de que “Deus viu que era bom”. Mas isso é diferente de dizer que o ser de Deus e, por isso, toda a sua existência, é amor.

Ainda hoje, ouvimos falar do princípio do bem e do mal; ainda hoje ouvimos falar de dois princípios presentes na criação — gente que se esqueceu da fé e quis, por ignorância ou tacanhez de espírito, regressar ao paganismo dos séculos antigos. Mas não. No início não existem dois princípios que lutam entre si. Existe Deus e o amor; e existe, depois, a liberdade que recusa o amor de Deus. O mal, o pecado é uma falha, uma recusa de amor.

É por isso que é tão importante a solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Ela diz-nos, clara e seguramente, que Deus é amor. E que esse amor não é um conjunto de teorias, mas que é algo tão concreto quanto Jesus morto na cruz, com o coração trespassado para nos salvar.

É neste amor de Deus que temos bem assente a nossa vida de cristãos.