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O Eco das Cidades Vazias, de Madeleine Thien

O Camboja entre 1969 e 1975, sofreu intensos bombardeios dos EUA, na tentativa de dizimar os guerrilheiros do Vietcong, infiltrados na fronteira entre os dois países. Este cenário serviu para o fortalecimento do movimento revolucionário comunista Khmer Vermelho que, liderado por Pol Pot, derrubou o governo em 1975, evacuou as cidades e criou uma economia agrária baseada na coletivização da produção. 

Na prática, tratou-se de uma das maiores carnificinas da história, com estimados dois milhões de mortos, de uma população de quatro milhões de pessoas. 

O Camboja foi ao inferno e voltou, entre 1975 e 1979, os maoístas radicais – corrente derivada do comunismo chinês – impuseram no Camboja quatro anos de sofrimento e perseguição. 

“Foi numa noite do Camboja de um céu sem estrelas que a infância de Janie foi abalada pelos terrores do Khmer Vermelho”. 

Três décadas depois, em Montreal, este cenário devastador é recordado e reconstruído por uma jovem sobrevivente que, evocando o totalitarismo desses tempos, os descreve de forma sublime, verdadeira e genuína, não ocultando os horrores duma guerra que a memória jamais olvidará.

O Eco das Cidades Vazias pela mão de Madeleine Thien, conduz-nos silenciosamente ao cerne do genocídio cambojano, um flagelo cujas marcas ainda hoje são palpáveis nos refugiados e seus descendentes, que por milagre conseguiram escapar e procuraram viver e esquecer um passado tão próximo e recente, embora a busca e a procura do reencontro com os familiares perdidos fosse o único sentido de vida e desafio imposto à sua mente sofrida e flagelada por um martírio histórico sem precedentes. 

«Um romance duma beleza humana extraordinária, duma sensibilidade comovente, que abordando questões de natureza afectiva e familiar, nos revela a violência de alguns regimes políticos cuja história jamais poderá absolver ou esquecer.