Europa: Rendimento mínimo

D.R.

Futuro da humanidade

Com o título “Vida após a pandemia” editado pela Libreria Editrice Vaticana com o prefácio do cardeal Michael Czerny, subsecretário da Seção Migrantes do Dicastério para o Serviço Humano Integral saíram as reflexões do Papa Francisco, a respeito do que este tempo de pandemia quer dizer à humanidade. Desde  27 de março – dia da bênção Urbi e Orbi na Praça de São Pedro vazia,  até 22 de abril, dia do 50º Dia Mundial da Terra. 

Oito textos do pensamento de Francisco, com dois objetivos: “sugerir uma direção para reconstruir um mundo melhor” depois da crise que estamos vivendo, e “semear esperança”.

São convites à escuta dirigidos à toda a humanidade. Escreve ainda o cardeal Czerny no Prefácio, “o Papa fala aos necessitados e aos sofrimentos das pessoas em suas mais variadas situações locais de um modo muito pessoal, sentido, comprometido e cheio de esperança”. A abordagem é “calorosa e inclusiva” e com o desafio: “ousem fazer o bem, e fazer melhor”.

Dirigindo-se diretamente a todos e a cada um, o Papa Francisco “alonga a mão com afeto paterno e compaixão assumindo o sofrimento e o sacrifício de muitas pessoas”, na expressão do cardeal Czerny. Fala aos chefes de Estado e de Governo. É uma coletânea “escuta e olha”.

A visão da pós-pandemia é de compromisso na ação e oração, no combate ao “vírus” do egoísmo dos interesses privados, na busca de “nova era de solidariedade”, na coragem de inovação, desafio à mudança, no reconhecimento do trabalho informal, reforço da assistência à saúde”

Rendimento Mínimo Europeu 

O Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, delegado português das COMECE, ao comentar o artigo de opinião de três ministros europeus (Portugal, Espanha e Itália) que apelam a um Rendimento Mínimo Europeu (RME), disse que, na linha da Doutrina Social da Igreja (DSI), as iniciativas que promovem “o indispensável aos cidadãos” devem ser patrocinadas e concretizar-se.

A Europa enfrenta “o maior desafio da sua história desde a Segunda Guerra Mundial: combater a pandemia de covid-19, salvando o maior número possível de vidas”. Este “é o momento de a União Europeia olhar para o futuro e “apresentar um plano de ação, lê-se no artigo assinado por Ana Mendes Godinho, ministra da Solidariedade e Segurança Social de Portugal. 

“Para garantir a todas as pessoas a satisfação das necessidades básicas, é fundamental ‘um sistema comum de rendimento mínimo’ (RME). Todos os Estados membros devem estabelecer um rendimento mínimo, adequado e adaptado ao nível e ao modo de vida de cada país”.

Sobrevivência

Segundo o arcebispo Vincenzo Paglia, presidente da Pontifícia Academia para a Vida, a única resposta possível, olhando para o futuro, tem de ser construída sobre a fraternidade e solidariedade, entendidas como fundamentos sobre os quais repousa a sobrevivência da humanidade.

É evidente a destruição da nossa Casa Comum é um roubo da dignidade das pessoas criadas à imagem do Deus da Vida.

Quando olhamos para nossa vida, para nosso mundo, o sentido de nossos dias, devemos levar em conta que estamos ligados um ao outro. Cada ação nossa nunca é somente nossa, mas é sempre também dos outros, no bem e no mal. Todas as escolhas – políticas, económicas, sociais e individuais – se não levam em consideração uma visão universal do bem comum, correm o risco de causar somente danos. 

Implementar uma bioética global é como recuperar o sonho de Deus no início da criação. Toda criação é a casa comum dos homens. A aliança de homem e da mulher deve ser responsável por todas as gerações e deve ser responsável pela custódia desta casa. Tudo isso foi negligenciado. Uma das razões da pandemia é, sem dúvida, a devastação do clima. 

Igreja e solidariedade

D. Paulo Cezar Costa, bispo de São Carlos, Brasil, diz que “a pandemia fechou as portas de nossas igrejas, mas a Igreja não está fechada, ela continua alimentando seus filhos e filhas através da oração, da Palavra, das celebrações transmitidas pelas TVs Católicas, rádios e mídias sociais, assistindo aos pobres e mais necessitados pela caridade e criando redes de solidariedade. 

São João Paulo II dizia que a solidariedade “não é um sentimento de vaga compaixão ou de ternura superficial pelos males dos outros, mas é a firme e perseverante determinação de trabalhar sendo responsáveis por todos”. 

O uso das redes sociais deverá continuar a ser um grande elemento da presença da Igreja, de evangelização, de missão, de oração com o nosso povo.

A Igreja continuará a ser interpelada no seu cuidado pelos últimos da sociedade. O amor fraterno deve, neste momento histórico, estar presente na nossa vida e na caminhada de nossas comunidades. 

Nós, cristãos católicos, devemos entrar no cuidado da economia, mas sempre no respeito pela dignidade da pessoa humana.