Movimento dos Focolares assinala centenário de Chiara Lubich

Em novembro de 2019, na catedral de Frascati (Itália) concluiu-se a fase diocesana do Processo Canonização de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, hoje presente em 182 países, dos cinco continentes.

Exposição pelo centenário de Chiara Lubich, Paço Episcopal do Porto | D.R.

“Celebrar para encontrar” é o tema que inspira esta ocasião que, na opinião dos responsáveis pelo Movimento, “pretende ser mais que uma simples evocação histórica”.

Chiara Lubich, que nasceu na cidade italiana de Trento a 22 de janeiro de 1920; viria a consagrar-se a Deus em 1943, propondo o ideal da unidade e fundando posteriormente o movimento dos Focolares.

“Estabelecer hoje uma relação com Chiara, é sobretudo encontrá-la no seu carisma” recorda o cónego Silvestre Marques, postulador da Causa Canonização.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o sacerdote português sublinha o facto de, no centenário de Chiara Lubich, se estar a repetir uma situação “muito idêntica” àquela que acompanhou o nascimento do carisma.

Em 1943, quando Chiara se consagra a Deus, vivia com as suas companheiras, confinada sob os bombardeamentos da II Guerra Mundial que fustigavam Trento no norte de Itália. Agora vivemos confinados por um vírus que volta a despertar as mesmas interrogações…”.

Na época, as bombas não destruíam apenas edifícios, destruíam uma sociedade, a economia, os laços de amizade e familiares, uma realidade que levou a fundadora do Movimento dos Focolares a uma conclusão: “Tudo passa, tudo é vaidade das vaidades…”

A constatação gera em Chiara Lubich, também uma pergunta sobre um “ideal que não passe”.

O postulador da Causa de Canonização considera que o início deste ano de 2020 trouxe “a mesma pergunta”.

“Podemos morrer de um momento para o outro, ser atingidos por uma calamidade ainda maior, não sabemos o que nos espera nos próximos meses e, portanto, o contexto é idêntico”, indica o cónego Silvestre Marques.

O capítulo 17 do Evangelho segundo João apresenta a expressão que haveria de inspirar Chiara Lubich a definir o ideal da unidade, centro do carisma do Movimento dos Focolares: “Pai, que todos sejam um… como tu e eu somos um”.

“Chiara não tem um carisma meramente espiritual, ele sublinha a santidade coletiva de um saber-se chamados à santidade” sublinha o postulador da Causa de Canonização.

“Chiara sente que o apelo a que todos sejam um, é para se aplicar à política, à cultura, à economia, é para se aplicar às igrejas, aos credos”, acrescenta o cónego Silvestre Marques.

O sacerdote da Arquidiocese de Évora, um dos responsáveis internacionais do Movimento dos Focolares, salienta que o ideal da unidade é também coincidente com o projeto europeu.

O ideal que nasce no coração desses homens cristãos que fundaram a União Europeia é precisamente o ideal da unidade”.

Para assinalar este centenário, o Paço Episcopal do Porto acolheu uma exposição alusiva à vida e obra de Chiara Lubich, mas as contingências da pandemia inviabilizaram as visitas a esta mostra; ainda é possível a visita virtual à exposição sobre Chiara Lubich que está patente em Trento, a sua cidade Natal.

HM/OC