A linguagem da Criação, como lugar de Deus e projeto a cuidar (1)

D.R.

Por Carlos Araújo, scj

A Carta Encíclica Laudato Si`1 foi um dos documentos papais que mais expetativas gerou antes da sua publicação. Pretende motivar os governos e as instâncias mundiais a tomarem decisões ambientais corajosas em favor da vida dos nossos ecossistemas. O tema da ecologia deve ser encarado como um compromisso fundamental humano e cristão.   

«Laudato Si`, mi` Signore – Louvado sejas, meu Senhor», cantava São Francisco de Assis em 1224. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar, ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços (LS, 1). O Papa no nº 87 da LS transcreve integralmente o «Cântico das Criaturas». 

O Papa Francisco afirma que: «Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo» (LS, 10).

Na verdade, o Papa ao iniciar a encíclica com o «Cântico das Criaturas» de S. Francisco de Assis, «é um sinal nítido de um apelo humano, forte e determinado». Recordemos as primeiras palavras do Papa Francisco, quando iniciou o seu ministério como bispo de Roma, 19 de Março de 2013, do qual salientou a responsabilidade de toda a humanidade em guardar a criação inteira, a beleza da criação (Gn 1).