Dia do Advogado: D. Nuno exorta a procurar a “graça da humildade”

D.R.

D. Nuno Brás exortou os fiéis a procurar a “graça da humildade”. O mesmo é dizer, “a graça da verdade e da rectidão”, que nos faz “caminhar procurando viver cada vez mais e melhor a verdade do que somos, diante de Deus, dos outros e de nós mesmos.”

O bispo do Funchal, que falava na Eucaristia de São Ivo, padroeiro dos Advogados, a que presidiu esta terça-feira, dia 19 de maio, na Sé do Funchal acrescentou que “não existe humildade verdadeira e virtuosa sem a consideração constante do amor com que o Pai nos surpreende e a que sempre podemos e devemos recorrer; e, simultaneamente, sem a consideração da diferença essencial que nos coloca no nosso lugar e nos faz perceber a nossa condição humana.”

“Este Deus faz-nos, no mesmo preciso momento em que se mostra como Salvador, perceber igualmente que cada um de nós (e que o todo da humanidade) não é Deus. Somos criaturas e não o Criador. Somos frágeis e dependentes. Somos realmente livres mas com uma liberdade finita”, frisou o prelado na homilia.

D. Nuno Brás explicou ainda que “a humildade é precisamente o fruto destas duas realidades: o quanto somos diferentes de Deus e o amor infinito que o Pai nos tem.” Por essa razão, considerou, “a humildade não é nunca humilhante: ao mesmo tempo que consideramos a distância que nos separa de Deus, a nossa pequenez e as nossas limitações, somos impedidos de esquecer a dignidade com que o Criador dotou todo e qualquer ser humano, o amor criador de um Deus que nos pensou e quer, a cada um de nós, por si mesmo — e, no caso dos baptizados, a nossa qualidade única de filhos no Filho.”

Mas o que tem a virtude da humildade a ver com o direito e o exercício da advocacia? À pergunta, o próprio D. Nuno respondeu referindo que “à partida, quase parecem realidades contraditórias. E no entanto, creio que ambas se encontram precisamente na procura e vivência da verdade.”

O direito, disse, “é a procura de tradução da verdade no ordenamento das relações entre os seres humanos, de modo que a cada um lhe seja dado o que lhe compete; e que a verdade, procurada e vivida, é a realidade sem a qual nos arriscamos a cair na arbitrariedade do mais poderoso — o mesmo é dizer: na negação do próprio direito.”

D. Nuno Brás terminou a sua reflexão pedindo que “Santo Ivo, padroeiro dos advogados e juristas, interceda por todos, para que, na humildade, sejamos capazes de nos deixar construir, não a partir do egoísmo com que espontaneamente nos vemos, mas antes moldados pela verdade que sempre nos diz quem somos e como nos havemos de relacionar com os demais e com Deus”.

De referir que nesta celebração marcaram presença o representante da República, os presidentes da Assembleia Legislativa da Madeira e do Governo Regional e a presidente do Conselho Regional da Ordem e vários advogados.