Há 100 anos nasceu um santo

D.R.

Claro que todos podemos fazer a diferença. E devemos fazê-la: à nossa volta, na nossa família, no nosso trabalho. Mas só de tempos a tempos aparecem homens que fazem a diferença na história universal. 

Hoje (18 de Maio de 2020) passam 100 anos do nascimento de S. João Paulo II. Foi, claramente, um desses homens. 

“Não abandones o teatro: serás um actor excepcional — dizia-lhe, por estas ou por palavras com o mesmo sentido, o seu mestre nas artes cénicas, quando Karol Wojtyla lhe comunicou que ia entrar no Seminário — se fores para o seminário, serás um padre igual a tantos outros”. Wojtyla foi para o seminário. De pouco lhe importava ser ou não conhecido. Importava-lhe antes Deus.

Tive a graça de estar com S. João Paulo II por várias vezes. Desde o Parque Eduardo VII, em Lisboa, quando eu era jovem seminarista e lhe fiz a entrega do vinho para a Missa durante o Ofertório, até às breves palavras ditas ao Papa já doente, em 2004, por ocasião da assinatura da Concordata entre Portugal e a Santa Sé. Pude, algumas vezes, concelebrar com ele a Eucaristia na Capela da Casa Pontifícia e, em muitas outras ocasiões, na Basílica de S. Pedro. Em vários momentos, tive a graça de trocar com ele algumas palavras. Era o que podíamos chamar “uma rocha da fé”. Tudo nele respirava Jesus Cristo.

De uma Igreja tímida, envergonhada, quase a pedir licença ou desculpa por ainda existir, João Paulo II conduziu-nos a uma Igreja que, embora consciente dos seus pecados, não tem medo de falar e de mostrar Jesus Cristo, porque se percebe portadora de um bem maior, que ultrapassa as muitas falhas dos homens e mulheres que a constituem. E não se trata de ser portadora uma sabedoria, de uma ideia, de uma utopia. Trata-se de trazer consigo uma pessoa, o Deus connosco: Jesus de Nazaré. E de ter como missão anunciar uma Boa Notícia que urge, ainda hoje, dar a conhecer.

Há 100 anos, nasceu um homem que derrubou um regime iníquo que parecia ser intocável e inabalável. Há 100 anos nasceu um homem que transformou a Igreja e o mundo. Há 100 anos nasceu um santo — que, ainda por cima, gostava de Portugal e da Madeira! Como não havemos de estar gratos a Deus, imensamente gratos por esse dom?