Pandemia: em duas frentes saúde e economia

D.R.

Covid-19: Causas humanas

1. «As forças que provocam a pandemia pertencem a uma ordem de causas estranha à ordem humana. E, no entanto, põem-na radicalmente em questão. Constatamos agora que a sociedade, as instituições e as leis que criámos para nos protegerem, e nos assegurarem uma vida justa, falharam redondamente. Não construímos uma vida viável para a espécie humana. Os extraordinários disfuncionamentos dos serviços de saúde de tantos países, a falta de coordenação e solidariedade dos estados-membros da União Europeia quando se tratou de ajudar a Itália, a criminosa e leviana arrogância de Trump no caso dos testes, a incapacidade de todos os governos de executar uma política sanitária eficaz sem utilizar meios mais ou menos autoritários, todo esse desnorte que deixou proliferar o vírus, mostra que qualquer coisa de profundamente errado infetou, desde o início, a história dos homens. Emmanuel Macron descobriu que “a saúde não é uma mercadoria” que tenha um preço. O coronavírus, pondo em perigo qualquer um, independentemente da sua riqueza ou estatuto, torna todos iguais – não perante a morte, mas perante o direito à vida, à saúde e à justiça» (email. Artur Soares, cdv)

Travar a pandemia

2. A Liga Operária Católica (LOC/MTC) em Portugal defende como prioridades travar a doença e, na economia, “evitar despedimentos”: “Esperamos que para todos, associações sindicais e patronais, se ponha freio à expansão do vírus, se recuperem as pessoas infetadas e quanto ao trabalho, se faça tudo para evitar despedimentos e garantir os salários a quem se vê afetado por esta crise”, refere o texto da equipa executiva.

Os responsáveis falam em “tempos desafiantes”, e elogiam o papel do Papa neste momento de crise, pela sua defesa dos mais desfavorecidos.

A LOC/MTC manifesta a sua solidariedade, de forma especial aos “profissionais de saúde e todos aqueles trabalhadores que continuam nos seus postos de trabalho”, garantindo o funcionamento da sociedade.

“Neste momento a nossa esperança é que esta crise não seja de longa duração, o que voltaria a massacrar a classe trabalhadora. É preciso desde já também, apontar medidas e caminhos para que depois desta crise se tomem iniciativas para evitar a destruição de emprego e de empresas”, aponta a Liga Operária Católica.

“Vivemos numa sociedade envelhecida e ainda há muita gente de risco a trabalhar, ou seus familiares, que todos os dias voltam dos seus empregos com receio de trazer o vírus para casa e isto tem de ser resolvido por alguém”, acrescenta a nota.

Os doentes e os que sofrem

3. O diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa,  Pe. Frédéric Fornos SJ, recordou que o Papa Francisco, além de rezar diariamente pelo fim da pandemia, convida as pessoas a mobilizarem-se “com a oração, compaixão e ternura”.

Num contexto marcado pela pandemia de COVID-19, o Papa tem pedido várias vezes a todos que rezem nestes momentos difíceis, sem distinção de tradições religiosas. Rezem pelos doentes e pelos que mais sofrem, por todos os profissionais da saúde, membros da proteção civil e autoridades.

Hoje os números são assustadores com mais de meio milhão de atingidos e mais de 20 mil mortos. O Papa vive estes momentos difíceis para a Itália e para o mundo. Numa peregrinação ao local onde se encontra o crucifixo que, em 1522, foi levado em procissão pedindo o fim da peste em Roma, rezou pelo fim da pandemia que hoje assola o mundo. Nesses dias, também rezou pela cura de muitos doentes, recordou as muitas vítimas desses dias e rezou para que os seus familiares e amigos encontrem consolação e alívio.

No dia 25 de março, o Papa convidou “todos os líderes das Igrejas, os responsáveis de todas as comunidades cristãs e todos os cristãos das diferentes confissões a invocarem o Altíssimo” e a rezarem o Pai-Nosso. 

Um compromisso silencioso

4. A Igreja Católica, através das suas instituições esteve e vai estar presente junto dos que sofrem e em especial dos mais carenciados.“O Papa e toda a Igreja”, disse dom Angelo Raffaele Panzetta, bispo de Crotone-Santa Severina, à Vatican News “trabalham no silêncio: “É uma ação, segundo o espírito evangélico, muitas vezes escondida». 

O Papa e a Igreja não precisam de campanhas publicitárias para aparecer nos jornais o tempo todo”, mas o que “estão fazendo no momento em termos económicos, culturais e espirituais é realmente importante e precioso e não pode ser subestimado. Gostaria de lembrar”, disse o prelado, “que o Papa também age através das Igrejas locais que servem o território no qual um importante esforço económico está sendo feito neste momento, para que nada falte. Não é hora de batalhas pretensiosas, não é hora de lamentar ou gerar uma cultura de suspeita. Este é o momento da solidariedade autêntica, de dar uma mão, amar realmente o próximo e multiplicar o bem e não a crítica”.