“Nunca ninguém falou como este homem” (Jo 7,46)

D.R.

É impressionante esta afirmação dos soldados que tinham a missão de prender Jesus. Atreveram-se a regressar de mãos vazias diante dos chefes dos sacerdotes e dos fariseus, de tal modo que estes não duvidaram em suspeitar: “Também fostes enganados?”.
Jesus não é apenas um sedutor “bem falante” que consegue convencer os ouvintes das suas convicções. Não é apenas um mestre que diz coisas interessantes e acertadas, como, noutra passagem, reconheceu um escriba: “Muito bem, mestre, tens razão” (Mc 12,32). Nem Jesus é, simplesmente, alguém que diz aquilo que pensa, com toda a sinceridade; ou um sábio que vê mais longe e mais profundamente que a maioria.
Jesus é a Palavra, o Verbo, a Razão, a chave dos enigmas e mistérios do mundo, dos homens, de Deus. Em Jesus tudo encontra o seu centro e o seu porquê: o nascer e o morrer, a beleza e a unidade, a verdade. É que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1). Toda a Pessoa de Jesus, tudo o que faz e tudo o que é, todo o seu ser — nele tudo fala, tudo mostra, tudo é presença do Pai.
É com este Jesus que, ainda hoje, nos encontramos: na Sagrada Escritura, nos sacramentos (em particular na Eucaristia), nos irmãos. Como aqueles soldados e como aquelas multidões. Eles tinham dúvidas, colocavam questões. Mas nós (apesar de tantas dúvidas) sabemos e reconhecemos que Ele é o Verbo feito carne. Será que sabemos e reconhecemos?