Pandemia: combater o medo é amar

D.R.

Covid-19 em Nota Pastoral 

1. D. Nuno Brás, bispo do Funchal, dirigiu-se a todos os cristãos da sua diocese, nestes momentos difíceis por que o mundo inteiro está a passar devido ao covid-19.

Esta doença já fez milhares de vítimas, nestes poucos meses que a conhecemos. Não poupa nenhum país. Por isso mesmo havemos de viver esta Quaresma com mais fé, esperança e caridade.

Com a fé que nos ajuda a colocar a nossa confiança no Pai que ama a todos. Com esperança no tratamento desta pandemia, como também na possibilidade que ela nos trará de construir depois um mundo melhor.

Com caridade, sabendo acolher-nos. Encerrados em nossas casas uns com os outros: custa-nos viver assim, todas as 24 horas do dia. Mas havemos de manter firme o amor que nos une e ajudar os nossos vizinhos mais sós e todos aqueles que precisam de nós. Da caridade faz ainda parte o respeito pelas orientações das autoridades de saúde. Não queremos ficar doentes, nem queremos que outros adoeçam por nossa causa!

É uma oportunidade para tornarmos mais viva a oração pessoal, em família e como comunidade, através das redes sociais.

Devido a situação que obriga à permanência em casa, nomeadamente dos mais idosos, o grupo de acólitos de Santa Cecília, num gesto cheio de significado, disponibilizou-se para realizar compras de supermercado ou idas à farmácia.

Combater o medo 

2. Para combater o medo há dois requisitos essenciais: a recusa da passividade e o conhecimento do “inimigo”. 

O medo acorda a lucidez, e neste sentido pode ser benéfico, pois encolhendo o espaço, suspende o tempo, limita o universo a algo que nos aprisiona e nos confunde. Assim, quanto mais ativos estivermos, mais aptos, mais fortes para afastar o medo. 

Comunicar com os outros e com a comunidade é alargar os limites do espaço e do tempo, é tomar consciência de que o nosso mundo se estende muito para além dos quartos a que estamos confinados. 

Assim o entenderam os napolitanos que se puseram a cantar à noite, de varanda para varanda, exorcizando o medo e criando um novo espaço público comum.

Este medo da morte é uma espécie de terror ‘miudinho, subterrâneo e permanente’, que toma conta da vida. Como se a morte, enquanto avessa da vida, viesse ocupar o terreno do nosso tempo quotidiano. 

É contra esta tendência de medo que é preciso lutar. Qualquer um, estrangeiro ou familiar, pode infetar-nos. O contacto passa a ser perigo e ocasião de morte possível, e todo o encontro, um mau encontro. 

O outro é o mal radical. É o inimigo. O plano relacional sofre um abalo profundo. O laço social, que se enraíza no “amor” ao outro (como afecto gregário da espécie), ameaça romper-se.

Papa reza por quem morre sozinho 

3. “Nestes dias, ouvimos notícias de muitos defuntos: homens e mulheres que morrem sozinhos, sem poder despedir-se dos seus entes queridos. Rezemos por eles e pelas famílias, que não podem acompanhar os seus entes queridos no momento do falecimento”, disse o Papa Francisco.

Até o dia 24.03 – 50 padres morreram na Itália devido à pandemia de Covid-19, dos quais 16 da Diocese de Bérgamo.

O Papa Francisco pediu a todos os cristãos que rezassem unidos o Pai Nosso no dia 25 de Março, ao meio-dia de Roma (11h00 em Portugal). D. Nuno pediu a todas as igrejas que, às 10h55, convidassem a todos à oração através do toque dos sinos. “Unamo-nos, uma vez mais, ao Papa, para implorar de Deus a graça do fim da pandemia. Coragem! O Senhor não nos abandona!”

Capuchinhos presentes 

4. O jornalista Paolo Ondarza testemunhou à Vatican News, a presença dos franciscanos capuchinhos no Hospital São João XXIII de Bérgamo. Com a devida vénia, resumimos.

Chorar com os que choram por um parente que morre, acompanhar os doentes que estão deixando este mundo sem a presença e o conforto de parentes e amigos… é este o testemunho dos cinco frades capuchinhos num hospital com 900 camas onde permanecem dia-e-noite confortando os que estão a morrer.

Com 84 anos, há seis que frei Aquilino é a referência espiritual para o Hospital. “Jamais poderia imaginar – conta – que pudesse viver estes momentos tão dramáticos. Na hora da morte é fundamental a presença humana, mas aqui os doentes morrem sozinhos, pois esta doença proíbe a presença de um familiar. Um médico me confessou que “a coisa mais triste é ver um doente que tenta falar, sozinho, sem amigos e sem a carícia de um familiar”.

Os franciscanos são uma presença vital, para médicos e enfermeiros: “O trabalho dos profissionais da saúde é admirável. São verdadeiros heróis. Correm risco de contágio todos os dias. Rezo sempre por eles e suas famílias: “Senhor, ajudai estes heróis para que sejam protegidos do contágio”, refere frei Aquilino.