D. Nuno no Porto Santo: Capela do Espírito Santo restaurada é convite a que “renovemos a nossa vida”

Depois de quase dois anos encerrada para obras de restauro a Capela do Espírito Santo, no Porto Santo, voltou a abrir portas este domingo. O Bispo do Funchal presidiu à Eucaristia e à bênção do pequeno templo, sede da respetiva paróquia, onde se reuniram muitos fiéis e algumas entidades locais, nomeadamente o presidente da autarquia.

Na homilia, o prelado voltou a sublinhar que as gentes do Porto Santo vivem “uma vida de procura, uma vida de quem não está satisfeito consigo e com aquilo que encontra”. A explicação para essa busca constante, disse D. Nuno, reside no facto de “só estarmos satisfeitos e felizes quando vivemos com Deus”. Até lá, prosseguiu, “nós não podemos descansar, nem ficar de braços cruzados dizendo: já sou suficientemente cristão”. Na verdade, “isto de sermos cristãos não chega” e “convida-nos a caminhar, a partir. O mesmo é dizer a renovar. A renovar a nossa vida, a renovar a vida da nossa comunidade, a renovar a vida de todos aqueles que nos encontram”.

Por outras palavras, “a nós cristãos não nos pode bastar o suficiente”, porque na vida cristã “nunca há suficientes”. Temos de “procurar sempre o máximo. Ou seja, aquilo que Jesus mostrou àqueles três discípulos de que nos falava o Evangelho. Isso é o máximo: ver Deus, estar com Deus, partilhar da sua vida plenamente.” É isso que nos faz felizes, e que no dizer do bispo diocesano se chama o céu, isto é, “o podermos viver com Deus e a partir de Deus. É a vida Eterna, a vida boa e feliz com Deus”. É para isso, disse, que nós vivemos e lutamos, “não apenas interiormente, não apenas a rezar terços e a vir à missa, e a fazer as nossas orações, mas também trabalhando e lutando por uma vida melhor”. Também isso, frisou, “é caminho para Deus e o nosso contributo para que todos os outros possam chegar a Ele”.

Referindo-se à Quaresma, o prelado disse que ela é sempre “este convite que em cada ano nos é feito, um convite sério, um convite que está aí, sempre, para não nos instalarmos naquilo que já somos e naquilo que já conseguimos ser”.

A Quaresma, sublinhou, “diz-nos que é possível mais, é possível melhor”. No fundo “podemos dizer que esta igreja, que volta a receber a celebração da Eucaristia, durante dois anos viveu Quaresma. Teve que ser tirado o teto, teve que ser tudo consolidado, tudo renovado. E para quê? Para que ela possa surgir, aparecer assim como imagem não apenas da comunidade cristã que somos, mas como imagem daquela comunidade cristã que havemos de ser com Deus. Da felicidade que havemos de viver com Deus, porque as igrejas não são lugares apenas onde nós nos encontramos e nos reunimos – para isso bastariam quatro paredes e um teto – mas lugares onde experimentamos a felicidade do viver com Deus e com os outros”.

Ao fim destes dois anos de Quaresma, prosseguiu, “esta igreja convida-nos hoje a viver bem a Quaresma deste ano. Ela é para todos nós este convite: parte! Não fiques contente, não fiques satisfeito com aquilo que já és, mas parte para Deus. Procura conhecer melhor o Senhor, procura conhecer melhor a Jesus Cristo, escutando a sua palavra, deixando que Ele te alimente, conhecer melhor os teus irmãos olhando para as suas necessidades materiais e espirituais. Não tenhas medo de dizer uma palavra amiga, uma palavra que corrige, uma palavra que ajuda. Olha para o teu irmão que está ao teu lado, que precisa de ti e deste sinal do amor de Deus. E olha para ti também, porque Deus é exigente, mas não te faz mal”.

Terminou sublinhando que, “certamente Deus partilha da nossa alegria por este momento em que voltamos a celebrara a Eucaristia aqui nesta igreja. Mas alegrar-se-á muito mais se cada um de nós, e se todos, o conhecermos melhor. Se cada um de nós, e se todos, fazendo Quaresma a sério, vivermos este ano mais unidos a Ele e assim o conhecermos melhor, e assim caminharmos e darmos passos decididos para a nossa vida cristã mais séria, para a nossa vida cristã mais feliz, mais perfeita”.

De referir que este dia festivo começou às 10 horas, com uma pequena procissão desde a sede do grupo folclórico da Ilha Dourada até à capela onde decorreu a Eucaristia, concelebrada por vários sacerdotes, entre os quais o Pe. Hugo Filipe Almada Gomes, pároco do Espírito Santo e o Pe. Martins Júnior, da paróquia da Ribeira Seca, em Machico, que há 57 anos era o pároco das paróquias do Porto Santo.