Bíblia: o vigor da Palavra na vida cristã

D.R.

Domingo da Palavra de Deus

1. Em setembro de 2019, o Papa Francisco divulgou a carta apostólica ‘Aperuit illis’ (‘Abriu-lhes o entendimento’), por ocasião dos 1600 anos da morte de São Jerónimo, grande estudioso e tradutor da Sagrada Escritura. Então anunciou a instituição de um “Domingo da Palavra de Deus”, a celebrar anualmente nas comunidades católicas. Foi escolhido o III Domingo do Tempo Comum, para promover a “familiaridade” com a Bíblia e tendo em vista “a celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”.

Dom Rino Fisichella, prefeito do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização considera este domingo uma iniciativa pastoral para reavivar a responsabilidade dos fiéis no conhecimento da Sagrada Escritura.

Os objetivos do Domingo da Palavra de Deus são vários e ricos de significado: oferecer uma dimensão unitária às várias iniciativas que a Igreja Católica promove no mundo, a nível local, para difundir a Palavra de Deus, dar um novo impulso à leitura bíblica no âmbito da pastoral, exortar os cristãos a tirar das prateleiras empoeiradas um “instrumento” que desperte a nossa fé e  estabelecer mais um passo para o diálogo ecuménico.

O Papa escolheu um domingo do Ano Litúrgico que é próximo ao Dia do diálogo entre Judeus e Católicos e da Semana de Oração pela Unidade de Cristãos.

Palavra caminho da vida

2. Este domingo, dia 26 de janeiro, o Papa Francisco presidirá à Eucaristia na Basílica de São Pedro. No fim da celebração, entregará uma edição especial da Bíblia a 40 pessoas representantes de várias realidades da sociedade: bispos, migrantes, embaixadores, professores, pobres, jornalistas, catequistas, seminaristas, detidos e algumas famílias, assim como a representantes das Igrejas Ortodoxas e das Comunidades Evangélicas.

Cada Bíblia, autografada pelo Papa assinala o primeiro «Domingo da Palavra de Deus»: “Lê a palavra de Deus que tens entre as mãos e escuta a voz do Senhor que te indica o caminho da vida. Domingo da Palavra de Deus, 26 de janeiro de 2020”, é a mensagem escrita na Bíblia, anunciou D. Rino Fisichella.

A Bíblia não pode ser limitada ao estudo dos especialistas ou a alguns momentos da vida da nossa pastoral, mas deve estar sempre presente na vida diária dos cristãos.

Evangelizar o mundo

3. O Papa desafiou a dar seguimento à “corrida do Evangelho pelo mundo”, iniciada por São Paulo. Em 15.01.2020, Francisco comentou o fim da narrativa dos Atos dos Apóstolos, o livro que conta o dia-a-dia das primeiras comunidades cristãs e o percurso evangelizador de São Paulo, desde Jerusalém até à sua chegada a Roma.

O Papa lembrou que o fim da narrativa “não acaba” com o martírio de São Paulo, mas “referindo uma abundante sementeira da Boa Nova feita com o maior desassombro e sem impedimento”. As “numerosas tribulações de Paulo” não fragilizaram o “vigor da Palavra”, mas mostraram “o tesouro da Boa Nova” e confirmaram que “a condução dos acontecimentos não pertence aos homens, mas ao Espírito Santo que torna fecunda a ação missionária da Igreja”.

Em Roma, Paulo encontra antes de tudo seus irmãos em Cristo, que o recebem e lhe dão coragem com uma hospitalidade calorosa.

Cenáculos de fraternidade

4. Paulo não tem liberdade para se mover – está preso – mas é livre de falar porque a Palavra não está acorrentada, mas é uma Palavra pronta para ser semeada. Fá-lo «com toda coragem e sem obstáculos, numa casa onde acolhe aqueles que desejam receber o anúncio do Reino de Deus e conhecer a Cristo.

«Esta casa é uma imagem da Igreja que, embora perseguida e incompreendida, nunca se cansa de acolher toda a humanidade com coração maternal e de lhe anunciar o amor do Pai que se tornou visível em Jesus».

O Papa concluiu sua catequese, desejando que “seguindo a corrida do Evangelho no mundo, o Espírito nos anime a sermos evangelizadores corajosos e alegres. Que Ele nos torne, “como Paulo, capazes de impregnar nossas casas com o Evangelho e torná-las cenáculos de fraternidade, onde podemos acolher o Cristo vivo, que vem ao nosso encontro em todas as pessoas e em todos os tempos”.