Jornadas de Atualização: Vida de um cristão não deve ficar “estacionada”

Foto: Duarte Gomes

Terminaram esta quinta-feira, dia 23 de janeiro, as Jornadas de Atualização para os Leigos e Consagrados da Diocese do Funchal. Neste mesmo dia chegou também ao fim a participação do cónego Nuno Amador, como orador convidado, nas Jornadas do Clero.

Tanto numa iniciativa como noutra se disse que não só o homem procura Deus, mas também é procurado por Ele, se deu conselhos para o tal Crescer na fé, mas também se disse que isto de ser cristão não pode ficar reduzido a uma ideia, mas deve corresponder a uma forma de vida. Uma vida que não deve ficar “estacionada”, “velha”, mas antes ser uma vida que se renova.

Ao Jornal da Madeira e em jeito de balanço, se bem que considere que o “verdadeiro balanço deve ser feito por quem assistiu aos trabalhos”, o cónego Nuno Amador disse ter gostado “muito de estar aqui”. Disse-nos ainda que encarou este convite de D. Nuno Brás como “um desafio”. É que, explicou, “aquilo que nos pedem a nós padres, mas também a cada leigo, quando temos de falar a alguém é que nos preparemos mais, o que implica lermos mais estudarmos mais rezarmos mais” e isso é sempre positivo.

Com o tema geral «Hoje devo ficar em tua casa» e três subtemas – ‘Deus vem ao nosso encontro e responde à nossa busca’; ‘Crescer na fé: Aprender sempre a ser Cristão’; e ‘Ser Cristão no mundo contemporâneo” – o cónego Nuno teve oportunidade de “deixar algumas ideias aos participantes que espero possam vir a dar fruto na vida das pessoas”.

Hoje, disse-nos, ser cristão “implica duas coisas essenciais”. A primeira “é sermos realmente cristãos e ter essa ligação à fonte que é Deus, ir ao encontro de Deus”. É que, explicou, “não se pode ser cristão no mundo sem conhecer Deus, assim não podemos estar em nome Dele”. A segunda coisa é “conhecer o mundo e amar o mundo que Deus ama”.

No primeiro dia o orador convidou os participantes ao exercício do encontro, no segundo ao do crescimento, e neste terceiro e último dia o exercício foi “procurar olhar o mundo com os seus limites e as suas possibilidades”, porque “Não podemos amar sem conhecer” e muito menos perceber que, pese embora as circunstâncias, “este é um mundo que Deus ama e que quer salvar”.

Assim sendo, disse, os cristãos hoje precisam “ter o coração no céu, os pés na terra e as mãos na massa”, para poder empreender esta caminhada que, começa com o Batismo, a “porta da vida Cristã” e se prolonga vida fora. É por isso que, de facto, o batismo, tema central do nosso Ano Pastoral, não pode ser “uma coisa do passado, um rito que aconteceu quando eramos crianças, mas algo que permanece como uma marca que não passa na nossa vida, mas que dará fruto para nós e para os outros na medida em que vivermos diariamente essa condição”. De resto, “mais do que um ato o batismo é uma condição é o sermos alguma coisa”.

É por isso, defendeu o nosso interlocutor, que “é preciso ajudar os pais que batizam os seus filhos a crescer na fé. Porque ninguém cresce na fé sem ser ensinado e sem os exemplos e os testemunhos daqueles que já vivem a fé”. É importante “os batizados poderem aprender uns com os outros aquilo que é viver o próprio batismo, neste caso os pais, na vida familiar, no amor em casa, na forma como tratam os filhos, os respeitam e os ensinam também a intimidade com Deus”. 

Claro que este percurso deve ser, como se disse, contínuo. Isto implica ir acompanhando a criança, o jovem, o adulto porque o crescimento não é automático. Há “passagens de uma idade para outra, de uma condição para outra”. E estas passagens da vida, considera o cónego Nuno “são um desafio para a fé”. 

Já D. Nuno Brás, que quis voltar a reforçar a importância dos valores, frisando que se eles “não forem vividos, e encarnados em gente concreta, de pouco servem”, aproveitou para agradecer a presença de todos e em particular a do cónego Nuno Amador. 

O prelado desejou ainda que “isto de ser cristão não seja simplesmente uma ideia, mas seja uma vida, mas nunca uma vida estacionada, velha, mas antes uma vida que se renova”. 

O prelado citou São Paulo quando este diz que “é verdade que o nosso corpo físico se vai tornando velho, mas o nosso espírito vai se tornando cada vez mais jovem porque se aproxima cada vez mais de Jesus Cristo”. Este crescer na vida cristã, frisou, “é algo que nós não podemos deixar de fazer, de viver a cada dia que passa”. 

De referir que, em cada um dos dias destas Jornadas de Atualização, às conferências do Cónego Nuno Amador seguiu-se sempre um tempo de partilha de testemunhos, quer por parte de movimentos quer de figuras públicas.