Atualização do Clero: D. Nuno quer ver reforçada ideia de que padres são a “presença de Deus que procura o homem”

Foto: Duarte Gomes

Tiveram início na manhã desta terça-feira, dia 21 de janeiro, as Jornadas de Atualização do Clero, que acontecem sempre no início de cada ano. 

Os trabalhos, com o tema geral ‘Hoje devo ficar em tua casa’ (Lc 19,5), decorrem no Seminário Diocesano do Funchal, e contam pela primeira vez com a presença de D. Nuno Brás.

Na oportunidade o prelado começou por situar o tema do dia – ‘Deus vem ao nosso encontro e responde à nossa busca’ – referindo que “nós [cristãos] estamos relativamente habituados a falar da nossa procura por Deus e do homem como o buscador de Deus, aquele que procura Deus”. Esta é, de resto, “uma das características do ser humano: ser alguém que procura por Deus, alguém que ao longo da sua vida procura ver o rosto de Deus.” 

Ao que estamos menos habituados, frisou o bispo diocesano, “é a tomar consciência desta realidade de um Deus que procura o homem”. E, no entanto, “é esta procura de Deus pelo homem que faz o cristianismo. Esta iniciativa que Deus toma de vir ao nosso encontro, e de vir ao nosso encontro não simplesmente numa perspetiva exterior, mas este ‘devo’ tão presente no Evangelho de São Lucas – Hoje devo ficar em tua casa – quer dizer, ficar em nossa casa, quer dizer, ficar naquela realidade que é o mais íntimo de nós”.

Esta realidade, prosseguiu, de “um Deus que nos procura é algo importante, de uma forma muito particular para nós padres, porque nós somos esta presença de Deus que procura o homem”. Uma ideia que, confessou D. Nuno Brás, “gostaria muito que saísse reforçada desta semana de atualização do clero”.

Terminou desejando aos sacerdotes, “que esta semana seja uma boa semana em termos de conhecimentos e de interrogações, mas também uma boa semana em termos de convívio e de estarmos todos uns com os outros e gozar desta alegria que é partilharmos desta realidade de sermos, precisamente esta presença de Deus que vem ao encontro dos homens e mulheres que estão ao nosso cuidado”.

Atitude de saída

Já o cónego Nuno Amador, em declarações ao Jornal da Madeira, explicou também que, de facto, o tema do dia era esse do “Deus que vem ao nosso encontro e quer mesmo ficar em nossa casa e que, se calhar, nos pede também isso em relação aos outros”. Isto é, “que também nós possamos ir ao encontro deles, para lhes propormos essa possibilidade de não só nós ficarmos na sua casa, mas também Deus o fazer”. Essa atitude, sublinhou, “exige saída, como Deus saiu até nós”. 

Esta saída, este percurso, disse, começa com pequeninos passos, o primeiro dos quais é o “deixarmo-nos encontrar também por Deus”. Quando isso acontece, “se calhar também ficamos mais disponíveis para ir ao encontro dos outros, ou seja, a possibilidade de nos sentirmos encontrados, amados, chamados também faz com que queiramos sair para ir ao encontro dos outros”. 

Num tempo em que “vivemos muito a indiferença, o individualismo, muito fechados em nós”, esta realidade tem de merecer a nossa atenção e ser trabalhada.

A respeito deste convite para vir à Madeira dar formação, o cónego Nuno Amador diz, meio a brincar meio a sério, que o encarou como diria filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard: “com temor e tremor”. E explicou: “Temor e tremor neste sentido, de que é com muito gosto que venho cá falar aos padres, e também aos leigos, sendo esta mais uma partilha da fé do que propriamente dizer coisas da cátedra. Venho tentar partilhar a vida, aquilo que vou vivendo e estudando, esperando que isso possa ser útil também para outros”.