Garachico: D. Nuno desafiou paroquianos a serem “mais parecidos com Jesus” e serem uma comunidade com “mais entusiasmo”

Foto: Duarte Gomes

D. Nuno Brás terminou este domingo, dia 19 de janeiro, a visita pastoral à Paróquia do Garachico, no Arciprestado de Câmara de Lobos, desafiando os paroquianos a procurem ser “mais parecidos com Deus” e a reforçarem o sentido de unidade, “não deixando que a desunião se instale”. E isso, disse o prelado, só se consegue se “trabalharmos todos para o mesmo objetivo” e com “mais entusiasmo”, continuando a construir a “Igreja de pedras vivas”. 

D. Nuno falava na homilia da Eucaristia de encerramento desta visita pastoral, no início da qual começou por questionar-se, e à comunidade, “para que é que serve a Igreja”, ou seja, “o que é que nós cristãos acrescentamos à vida” por lá irmos. Entre outras respostas, ficou a ideia principal de que “quando nós convivemos com uma pessoa passamos a pensar como ela, a olhar o mundo como essa pessoa”. Aqui, prosseguiu, “a pessoa é Deus feito homem”.

“Deus que nasce num presépio e morre numa cruz para que nós possamos ser mais parecidos com Ele”. Isso significa que quando olhamos para alguém, “olhamos com os olhos de Deus e então percebemos que aquela pessoa é o nosso irmão”. O mesmo acontece com os nossos ouvidos, a nossa boca, as nossas mãos e o nosso coração que, sendo de Deus, nos levam a “ouvir aquilo que  Ele tem para nos dizer”, que “as nossas palavras não são palavras de condenação, mas de quem ajuda”, que “as nossas mãos são as de quem dá”, que “o nosso coração é verdadeiramente um coração aberto para todos e que a todos ama”.

Por isso os cristãos têm a missão “de dar ao mundo Jesus Cristo, Deus feito homem, e de dar ao mundo a notícia de que é possível viver com Deus e como Deus quer”. E tanto é possível que “todos nós que aqui estamos queremos transformar-nos converter-nos, mudar a nossa maneira de viver, de pensar, de olhar, de falar, de ser de simples homens e mulheres, para homens e mulheres que vivem com Deus, que vivem com Jesus e em Jesus”. E isso, frisou o prelado, “muda tudo. Muda a nossa maneira de ser em família, muda a nossa maneira de trabalhar, muda a nossa maneira de nos divertirmos, muda tudo”.  

De resto, é isto que o mundo “precisa e pede de nós cristãos”. Daí o desafio deixado à comunidade: “Sejam mais parecidos com Jesus, cada um de vocês. É a isso que eu vos desafio. É a isso que vos convido como vosso bispo, é isso que eu vos peço: sejam todos cada vez mais parecidos com Jesus Cristo”.

Foi isso que convidou depois, num momento de silêncio, a assembleia a dizer ao Senhor. Que estou aqui “para fazer a tua vontade, para ser aquilo que tu queres para mim, aquilo que tu me pedes e quero ajudar os outros a serem assim, mais parecidos contigo”.

Agradecimentos e ofertas

Já mais perto do final da celebração a catequista Delta, falando em nome da comunidade, disse que estes dias serviram para “reforçar a presença sacramental de Jesus Cristo entre nós”. Além disso, estes dias foram uma oportunidade para D. Nuno conhecer os grupos, movimentos e serviços que existem na paróquia e “escutar e sentir as angústias e preocupações, as alegrias e as expetativas das pessoas e conhecer a realidade humana, social e paroquial e material desta comunidade”. A algumas manifestações de “desesperança e desânimo”, reagiu com “palavras de fé e de confiança, encorajando-nos apesar de sermos poucos, a sermos mais fortes e a pormo-nos ao trabalho, com verdadeiro espírito de união e de comunhão cristã”. É por isso, concluiu “que esta primeira visita pastoral foi uma graça e uma bênção para toda a comunidade do Garachico”.

A estas palavras seguiram-se as do Pe. Humberto Mendonça que agradeceu, “com alegria e Júbilo”, a presença do bispo no meio da comunidade, frisando ainda que a presença das pessoas na Eucaristia era um sinal de que, “apesar das dificuldades, a nossa fé está viva e a nossa esperança também está presente” e que “queremos construir a Igreja de Jesus, dando testemunho dele com a nossa fé, a nossa atitude e a nossa vida”. 

O Pe. Humberto aproveitou ainda a ocasião para oferecer ao prelado, em nome da paróquia um corporal e um sanguíneo, ambos com bordado madeira. A ideia é que sempre que o prelado usar estas duas alfaias litúrgicas, se lembre dos paroquianos do Garachico.

Ainda antes da bênção final, D. Nuno Brás aproveitou para agradecer o acolhimento “nestes dias muito bonitos que passei no meio de vós e em que tive oportunidade de contatar com a comunidade”. Aproveitou ainda para sublinhar a “necessidade de unidade”. De “não deixar que a desunião se instale nesta comunidade”, o que só se consegue se “trabalharmos todos para o mesmo objetivo”, com generosidade e participação. Só assim se consegue “construir a Igreja de pedras vivas, a Igreja de pessoas, uma comunidade que seja, pelo seu modo de viver, verdadeiramente presença de Jesus”. Esse, voltou a referir, “é o grande desafio, é o grande convite que eu aqui vos deixo”. A igreja do Garachico, lembrou, foi construída pelos paroquianos, “agora a tarefa é construir a Igreja viva”, concluiu.

A terminar de referir que a próxima visita pastoral será a uma das paróquias do Arciprestado de Santana, estando ainda a ser acertados “pormenores das datas e do programa”.